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20 políticos de Mato Grosso já foram citados na Lava Jato

20 políticos de Mato Grosso já foram citados na Lava Jato

Dentre os políticos citados na operação Lava Jato, ao menos 20 de Mato Grosso são apontados como recebedores de dinheiro oriundo de grandes empresas como a JBS e a Odebrecht. As revelações surgiram com as declarações dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS e dos ex-executivos da Odebrecht, Pedro Augusto Carneiro Leão Neto e João Antônio Pacífico.

Quando o procurador-geral da República Rodrigo Janot apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma série de pedidos de inquéritos contra os delatados.

JBS

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB), por meio de seu ex-secretário e “braço direito” Pedro Nadaf, é o que teria recebido o maior volume dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que afirmam ter pago R$ 25,5 milhões em propina para obter incentivos fiscais aos frigoríficos que mantinham no estado. Com isso, a empresa deixou de pagar R$ 73,5 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Tais valores foram ressarcidos pela empresa ao erário, após seus executivos firmarem acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual, que abriu ação civil pública em relação ao caso.

Conforme os delatores, as propinas também eram pagas aos políticos em forma de doações de campanha, fossem em caixa dois ou registradas, porém, atreladas a compromissos políticos favoráveis aos negócios do grupo JBS.

Nesse caso, o maior beneficiário apontado é o senador Welington Fagundes (PR). Nas eleições de 2014, ele recebeu cinco doações que totalizaram R$ 1,850 milhão, sendo duas da Seara, uma de R$ 200 mil e outra de R$ 250 mil. Outras três doações chegaram por meio da JBS S/A, sendo duas de R$ 500 mil e uma de R$ 400 mil. Todos os pagamentos ocorreram em cheques, mediados pelo diretório nacional do Partido Republicano.

Naquele mesmo ano eleitoral, dentre os deputados federais, Carlos Bezerra (PMDB) foi o que mais recebeu doações da JBS. Foram duas doações de R$ 500 mil cada, totalizando R$ 1 milhão, pagos por meio do diretório nacional.

Os deputados federais Fábio Garcia (PSB) e Ságuas Moraes (PT)receberam naquele ano R$ 150 mil cada da JBS. Os pagamentos foram intermediados pelos respectivos diretórios estaduais e pagos via transferência eletrônica.

Adilton Sachetti (PSB) e Valtenir Pereira (PMDB) receberam R$ 50 mil cada um, também mediante repasse partidário. Sachetti recebeu em cheque e Valtenir por depósito em espécie.

O que menos recebeu doação da empresa foi Victório Galli (PSC). Através de seu diretório estadual, ele ganhou R$ 30 mil em doação eleitoral da JBS S/A na campanha de 2014.

Três deputados estaduais também foram beneficiados com recursos da maior empresa do ramo de frigorífico do mundo, que também é alvo do maior esquema de corrupção já descoberto no país.

Na Assembleia Legislativa, o parlamentar que mais recebeu foi o presidente da Casa, Eduardo Botelho (PSB). A ele o diretório estadual repassou R$ 350 mil doados pelos irmãos Batista. Alan Kardec (PT)recebeu R$ 77 mil da JBS via repasse do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB). O deputado Max Russi (PSB), atualmente secretário de Estado de Assistência Social, recebeu R$ 50 mil. Já Mauro Savi (PSB) foi beneficiado com R$ 6.737,5 da JBS Frigorífico, também repassados por Carlos Bezerra.

Na lista de “doações disfarçadas”, foi detectado nomes de candidatos que não conseguiram se eleger em 2014. Lúdio Cabral (PT), que concorreu ao cargo de governador, recebeu R$ 509,3 mil, sendo 475 mil via diretório nacional petista, e o restante por intermédio de Welington Fagundes, que fez três repasses a Lúdio: R$ 18.525,00; R$ 11.875,00 e R$ 3.937,50 cada.

Além do petista, Hermínio Barreto (PR) recebeu 300 mil e Carlos Brito (PSB) recebeu R$ 50 mil na campanha de 2014.

Mais recentemente, na delação premiada do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), revelou que fez repasses de dinheiro da JBS para Carlos Bezerra e também para o então ministro da Agricultura Neri Geller (PP). Ele teria recebido R$ 250 mil na época em que era muito próximo de Cunha e do presidente Michel Temer (PMDB).

Odebrecht

Outros três políticos mato-grossenses – Blairo Maggi (PP), Pedro Henry (PP) e Eder Moraes – são citados na Lava Jato como beneficiários de valores pagos em propina, dessa vez, da Odebrecht.

Conforme os delatores Pedro Leão e João Pacífico, entre 2006 e 2007, a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) teria pago R$ 12 milhões em propina ao então presidente da MT Fomento, Eder Moraes, à título de “contribuição à campanha de reeleição do então governador Blairo Maggi (PP) e em troca do recebimento de R$ 50 milhões relativos a débitos atrasados pela construção da MT-010 em gestões anteriores.

Já o ex-deputado federal Pedro Henry (PP) teria cobrado R$ 2 milhões em propina à Odebrecht para, em troca, atuar em favor da aprovação de emenda à Medida Provisória nº 183 de 2004, que reduzia a zero a alíquota de impostos na importação e comercialização de fertilizantes e defensivos agrícolas.

 

Rádio Tangará com Gazeta Digital