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Atraso nas chuvas preocupa produtores de MT
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Atraso nas chuvas preocupa produtores de MT

by newsmtoutubro 13, 2014

O  plantio começou até acelerado em Mato Grosso na segunda quinzena de setembro, quando algumas chuvas um pouco mais intensas foram registradas, mesmo que de forma esparsa pelo Estado. No entanto, na quarta semana de trabalho a falta de umidade no solo evidenciou que as plantadeiras pararam e que quem pode plantar, reduziu o ritmo temendo replantios. Nesse momento, com a queda dos preços internacionais já consolidada, o clima torna-se a maior preocupação do sojicultor, já que a primeira quinzena de outubro é mais propícia ao cultivo do grão e garantiria intervalo de tempo – janela de plantio – suficiente para realização da segunda safra, a partir de janeiro de 2015.

Mais que prejudicar a janela da safrinha, em função de um possível atraso na semeadura da soja – o que gera automaticamente atrasos na colheita – as condições meteorológicas vão consolidando uma realidade que o produtor fez de tudo para não se confirmar: a concentração do plantio. Ou seja, muitos hectares plantados em um mesmo momento. Numa situação dessas, o produtor se vê obrigado a colher tudo na mesma época e se vieram as mesmas temporadas de chuva dos últimos dois anos, centradas entre o final de janeiro e fevereiro, as perdas poderão ser grandes. “Equipamentos para recuperar o atraso do plantio e da colheita o produtor tem. Mas contra o fator clima não se pode fazer nada. Ano passado, por exemplo, tivemos dias de chuvas intensas sem poder entrar na lavoura com a soja passando do ponto de colheita. Nesse ano, muitos escalonaram melhor o plantio, mas se veem de mãos atadas, porque num cenário difícil como o atual, plantar sem chuvas é risco certo de perder e ter de fazer tudo de novo”, explica o presidente do Sindicato Rural de Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), Laércio Lenz. Ele frisa que até o final de setembro havia ritmo no plantio e quem tinha tido chuva estava aproveitando, mas que agora os trabalhos estão parados e atrasados. “O medo é da perda das janelas às safrinhas, especialmente hoje a de algodão que é a primeira a ser plantada, bem como de ver o plantio da soja concentrado em poucas semanas de trabalho”. Sorriso destina a maior área cultivada à soja do mundo, mais de 580 mil hectares.

Como aponta Lenz, a previsão de retorno das chuvas é para depois do fim da primeira quinzena do mês.

RITMO – Conforme o quarto acompanhamento de safra do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), do dia 3 ao dia 9, o plantio evoluiu 3,82 pontos percentuais (p.p.) e de adiantado em relação ao mesmo período de 2013, agora está 0,72 p.p. atrasado. Dos mais de 8,8 milhões de hectares que devem ser cobertos nessa safra, de acordo com o Imea, apenas 8,35%, ou cerca de 730 mil hectares. No mesmo dia 9 de outubro do ano passado eram 9,07% de uma área de 8,4 milhões de hectares. Na semana de 29 de setembro a 3 de outubro foram cultivados 400 mil hectares dos 730 mil acumulados até o momento. Em Sorriso, por exemplo, apenas 11% da área projetada estava cultivada até o dia 9.

A Agrural também registra o atraso no Estado. Como explicam os analistas, em Mato Grosso, as altas temperaturas reduzem rapidamente a umidade do solo, que já está baixa em o todo o Estado. Com os trabalhos evoluindo lentamente, o plantio chegou a 8%, contra 10% no ano passado e 14% na média de cinco anos. “A região norte, com 12%, é a que mais plantou até agora, e alguns produtores até têm arriscado jogar as sementes no pó – algo pouco comum em anos de preço baixo. Mas, por conta da falta de umidade e do ataque por broca em lavouras mais adiantadas, pode haver replantio em alguns talhões isolados”.

Ainda conforme a AgRural, no oeste mato-grossense, onde o plantio chegou a 10%, quem arriscou plantar sem previsão de chuva vai ter que replantar. No sul, onde 7% da área está semeada, as máquinas estão paradas desde o início da semana e deve ocorrer replantio em áreas arenosas. No leste, há reportes isolados de plantio, que representam 1% da área.

NO CAMPO – O coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura, em Mato Grosso (CDSV/Mapa), Wanderlei Dias Guerra, que está percorrendo os principais municípios produtores e tem registrado a falta de umidade nas lavouras já cultivadas. “Clima muito seco na região médio norte. Em Sorriso já tem lavouras com perdas consideráveis na sua formação (no stand). Somente as áreas sob pivô central estão imunes ao longo período sem chuva”, destaca.

Ainda como recomenda, o produtor deverá ter atenção redobrada nestas áreas irrigadas, onde as lavouras serão o foco inicial da ferrugem nesta safra. “O bom controle da enfermidade até o final do ciclo é importantíssimo, pois poderão se tornar fonte de inóculo para as lavouras que virão após as chuvas se normalizarem”.

Fonte: Diário de Cuiaba

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