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Bispa Francileia realiza batismo em presídio
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Bispa Francileia realiza batismo em presídio

by newsmtoutubro 17, 2014

No dia 26 de setembro, sexta-feira, às sete horas da manhã a equipe de fé da Evangelização Carcerária da Igreja Mundial do Poder de Deus já deixava uma mesa cheia de Bíblias, livros da Bispa Francileia, Jornal Fé Mundial, a Revista Mundial Sem Limites e centenas de toalhinhas “Sê Tu Uma Bênção” no interior da Penitenciária Feminina de Franco Da Rocha, Grande São Paulo. Além disso, começava a encher a piscina de plástico de 1200 litros de água para a bispa Francileia, líder da IMPD, realizar o primeiro batismo nas águas no raio 8 da Penitenciária Feminina, sob regime fechado.

Ao chegar no presídio às 8h45 acompanhada da pastora Raquel, sua filha, elas entram no local sisudo com as marcas da pobreza e o sofrimento estampado no rosto de cada presidiária. Independente do delito que cometeram, todas queriam deixar a culpa e os erros para trás. Antes da bispa iniciar o batismo para uma fila indiana de 50 presidiárias, elas trocaram a camiseta e bermuda, figurino básico da cadeia, por uma bata azul especial para batismo e cedida pela igreja. Ao arregaçarem as mangas e levarem amor e solidariedade a cada uma delas, as líderes espirituais oraram e pregaram sobre o arrependimento e a nova vida quando a pessoa se converte a Cristo e se batiza nas águas.

Minutos antes das líderes espirituais começarem a cerimônia, elas agradeceram a equipe de Evangelização Carcerária da IMPD, que realiza cultos incansavelmente nos presídios de São Paulo, e explicaram sobre a importância do batismo. “Nós glorificamos o nome do Senhor por todas que vão se batizar hoje, e ao mesmo tempo pedimos a Deus que venha consolar e guardar o coração de cada uma que ainda não aceitou o Senhor Jesus. Nós não podemos obrigar ninguém a aceitá-Lo, porque é a mão de Deus que age. A pessoa deve aceitar Jesus de livre e espontânea vontade, reconhecendo-O como o seu único Senhor e Salvador. Deus ama a todos e não faz acepção de pessoas, para Ele, todos são iguais. Cada alma é sagrada, valiosa para Ele, vale mais que o mundo inteiro, porque tudo é Dele. O que Ele quer é apenas a sua alma, o SEU AMOR e o seu louvor. A Palavra de Deus é a joia mais rara e preciosa que existe neste mundo”, frisou a bispa.

Com as lágrimas descendo e lavando vários rostos pelas palavras de carinho, amor e esperança, a pastora Raquel declarou que estava muito feliz em estar no local para realizar o culto e o batismo nas águas. “Muitas vezes esperamos tantas coisas das pessoas que estão ao nosso lado, da nossa família, das pessoas que trabalham conosco, que estão ao nosso redor, e a gente não consegue receber nenhum abraço. Tem pessoas que olham para mim, para você, para todos que estão aqui, e simplesmente nos negam carinho, amor e consolo, mas Deus nos consola e nunca nos nega o SEU AMOR, o seu carinho, por isso vamos adorá-Lo com alguns cânticos neste momento”.

O primeiro louvor escolhido e puxado pelas próprias detentas foi da cantora Damares. Um dos refrãos é:… eu nunca vi um escolhido sem resposta, porque em tudo Deus mostra uma solução… A segunda música escolhida foi “Sabor de Mel”, do cantor Davi Sacer, em que canta: os planos que foram embora, o sonho que se perdeu, o que era festa agora é luto; restitui, eu quero de volta o que é meu…

Um pouco antes do batismo, a jovem Luana dos Reis Domingues, de 24 anos, toda tatuada e com as marcas da tristeza que carrega em sua fisionomia, disse que está presa há quatro meses pela segunda vez, artigo 157 (Roubo a mão armada), e declarou que ficou emocionada em receber a visita e o abraço da bispa e da pastora Raquel. “Sempre assisto a programação da igreja pela TV e participo dos cultos aqui na prisão”. Grávida de 6 meses, Luana tem uma filha de cinco anos e que está sob a tutela da Vara da Infância. “Quero a minha filha de volta. Nunca fui feliz. Os meus pais morreram e meus irmãos (7 mulheres e 6 homens) são todos usuários. Eles não sabem que estou presa, nem tenho notícias deles. Acham que eu já estou morta”, frisou minutos antes do batismo. O sorriso curto e rápido de Luana só apareceu um pouco depois que foi batizada nas águas e lhe acendeu uma esperança. “Está muito difícil, mas vou pedir a Deus que me ajude”, frisou esperançosa.

Sandra Cristina, de 19 anos, mora em São Paulo, e foi presa pela primeira vez por tráfico de drogas. “Aqui é a escola da vida. Eu sou desviada e tenho um filho de um ano e estou com muitas saudades dele. Peço a Deus que assim que descer às águas, Ele venha me libertar e me tornar uma nova Sandra. Quando eu atravessar todos os portões daqui, quero ir para a igreja e servir a Deus. A vida com Ele é que vale a pena”, concluiu.

Presas são libertadas após batismo:

Após o batismo, a equipe de fé distribuiu Bíblias, livros da bispa Franciléia, exemplares da Revista Mundial, Jornal Fé Mundial e a ‘toalhinha Sê Tu Uma Bênção’. Durante a distribuição, todas ficaram ávidas pelos presentes e alegres pela cerimônia especial no sistema prisional, e até mesmo aquelas que não conseguiram dar um sorriso no início da visita, expressaram uma feição mais alegre depois do batismo. Enquanto a equipe fazia a distribuição do material evangelístico, a bispa Francileia e a pastora Raquel ficaram quase uma hora autografando Bíblias e livros a pedido das detentas.

Duas semanas depois do batismo a equipe de Evangelização Carcerária voltou ao presídio, e foi comunicada que todas que se batizaram, receberam o alvará de soltura. “Apenas duas continuaram presas. Algumas se arrependeram de não terem se batizado e pediram que a bispa voltasse para receberem o batismo”, informou a obreira Estelita Barros, membro da equipe.

Por: Madalena Mattos.

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