Você está lendo:
Bombeiros choram ao relatar resgate de bebê em edifício
0

Bombeiros choram ao relatar resgate de bebê em edifício

by newsmtoutubro 18, 2014

O resgate de Mariana foi feito de rapel, por conta da fumaça no Sunset Boulevard

Os três bombeiros militar que trabalharam no resgate da bebê Mariana, de dez meses, durante o trabalho de resgate de vítimas no edifício Sunset Boulevard, relataram, em entrevista coletiva, na sexta-feira (17), os momentos de tensão e emoção durante a complicada operação de salvamento.

Um curto-circuito nas instalações do edifício de 23 andares, localizado na Rua Desembargador José de Mesquita, no bairro Araés, em Cuiabá, mobilizou o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar, desde o começo da manhã da terça-feira (14). 

A forte fumaça provocada pelo curto-circuito começou por volta das 4h, de maneira amena, apenas na parte dos forros.

“Foi muito emocionante. Eu nunca tinha resgatado um bebê com menos de um ano. Na hora, pensei nos meus filhos, sobrinhos e na responsabilidade que eu tinha para com a criança”

Aproximadamente 80 bombeiros participaram da evacuação e combate ao fogo no prédio. A operação que começou às 5h, contou ainda com o apoio do Exército, defesas Civil de Cuiabá e do estado, e Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Para os bombeiros, que se recusam a ser chamados de “heróis”, o resgate de Mariana, feita por rapel, foi o mais complexo, durante todo o trabalho, que durou mais de sete horas.

“Foi muito emocionante. Eu nunca tinha resgatado um bebê com menos de um ano. Na hora, pensei nos meus filhos, sobrinhos e na responsabilidade que eu tinha para com a criança. E no fim, tudo deu certo. Até ela ajudou. Desceu tranquila, sem dar nenhum choro”, contou o soldado Jeovane Lázaro da Silva, 33, que desceu com a pequena no colo.

Lázaro chorou muito quando lembrou o momento em que a bebê foi amarrada em seu corpo e teve que descer.

“Primeiro, chegamos no apartamento, depois de muito trabalho ao passar de andar em andar, sob muita fumaça, e vimos a bebê com a mãe e o pai. Tranquilizamos os familiares, descemos o pai, a mãe e, por último, o bebê. Foi mágico. Ela, no começo, queria estranhar, mas desceu quietinha no rapel”, disse o soldado.

Tony Ribeiro/MidiaNews

Momento em que o soldado Jeovane descia com a pequena Mariana do 15º andar

O resgate da família da bebê foi feito por rapel porque as escadarias estavam com muita fumaça e a escada Magirus, do Corpo de Bombeiros, não chegava até o 15º andar.

Então, os três bombeiros foram levados ao terraço do prédio no helicóptero da Polícia Militar e lá montaram uma ‘pista’ para o rapel.

Depois, Jeovane e Josymar desceram até o 15º andar e montaram outra pista.

O primeiro a descer foi um menino de 7 anos, seguido da mãe. Depois, foi a vez da bebê, que foi amarrada ao corpo de Jeovane por Josymar.

Josymar de Oliveira Silva, terceiro sargento bombeiro e especialista em operações de salvamento em alturas, explicou como foram os momentos que antecederam a chegada no 15º andar do Sunset Boulevard.

“Subimos de helicóptero e, de lá do terraço do prédio, começamos a traçar as metas. A bebê tinha que ser amarrada, mas o nó precisou ser diferente, pois o soldado que iria descer com a Mariana teria as duas mãos soltas para poder acalmar a criança”, disse o sargento.

Tony Ribeiro/MidiaNews

Soldado Jeovane chorou ao relatar resgate de Mariana

“Pela Magirus, não alcançaríamos o andar. Então, fomos de helicóptero, mas já sabíamos que a descida seria por rapel e, graças a Deus, tudo deu certo“, afirmou o sargento Antônio Ventura Moraes.

O trio especializado em salvamento de alturas enfatizou que o trabalho de resgatar um bebê de 10 meses sem nenhum arranhão foi um sucesso por conta dos treinamentos e técnicas adquiridas no tempo de trabalho.

O soldado Jeovane destacou o lema dos bombeiros: Vidas alheias , riquezas a salvar”.

“Não somos heróis, somos treinados para isso e somos técnicos. Nos emocionamos nessas horas porque temos sentimentos, mas me recuso a ser lembrado como um herói. O caso é raro. Vou lembrar de tudo isso pra vida toda, mas não somos heróis. Faço isso por qualquer um, pois vale o nosso lema desde o juramento. Não podemos escolher quem vamos salvar”, disse o soldado.

Interdição

A Defesa Civil de Cuiabá informou que, até o resultado do laudo técnico com as causas do incidente no edifício Sunset Boulevard, no bairro Araés, em Cuiabá, o prédio fica interditado.

O edifício, que tem 23 andares e foi entregue pela Construtora Plaenge em 2002.

A grossa camada de fumaça ultrapassou a prumada elétrica (a tubulação que leva energia para todos os apartamentos) e causou danos em vários apartamentos.

Embora o edifício tendo passado por uma vistoria há 60 dias, o coordenador da Defesa Civil de Cuiabá, Oscar Amélito, disse que o local não será liberado enquanto não passar por uma restauração nas partes elétrica e hidráulica.

Leia mais sobre o assunto:

Curto-circuito em prédio da Capital deixa moradores isolados

Moradores contam momentos de pânico e tensão em edifício


Defesa Civil interdita prédio até conclusão de laudo técnico


Moradores reclamam de falta de assistência após curto-circuito

 
MAX AGUIAR /Midia News
About The Author
newsmt

Tem algo a dizer sobre essa matéria?