Você está lendo:
Campeão: A Copa do Brasil é do Galo
0

Campeão: A Copa do Brasil é do Galo

by newsmtnovembro 27, 2014

(Foto: Gustavo Andrade)

Riso Louco, janela fechada

Sábios são os que têm a medida de sua grandeza – e no futebol a nossa maior grandeza, por mais que se finja o contrário, só atravessa o outro lado da rua. Mesmo quando se ganha do Real Madrid ou do Barcelona ou de Andrômeda, não é para o outro lado do oceano que olhamos. No outro dia, TRÔPEGOS pela volúpia da vitória, é para a janela do vizinho que voltamos nosso olhar cheio de MALÍCIA, vermelho pela canha, eterno desde ontem. Imaginem para um cruzeirense hoje encarar pela veneziana do banheiro aquelas pupilas arregaladas de um atleticano lunático, com um sorriso retorcido que ameaça jamais ir embora.

Porque o Galo conseguiu encaixar-se de uma forma exata em um esquema cosmologicamente perfeito para deleitar-se com o êxtase, a flauta e a risada que nunca evapora: carimbando com um esporaço a faixa de campeão brasileiro do Cruzeiro três dias depois do feito de um dos maiores campeões nacionais de todos os tempos. Mais do que isso, o próprio Galo, ao vencer o rival, consolida aquele que provavelmente é o seu maior BIÊNIO na história.

Este par de anos é grande pelos títulos, é óbvio, afinal uma Libertadores e uma Copa do Brasil em pouco mais de ano é conquista para poucos, mas também porque acaba devolvendo na CAIXA TORÁCICA do rival certa desventura referente a 2013. Afinal, pouco tempo depois de levantar aquela Libertadores parida em um épico parto de burro, o Atlético-MG se viu imerso na festa do Cruzeiro pelo campeonato brasileiro. Mas a volta jamais falha, e ela é cruel e arde como o vinagre em um beiço esfolado.

Belo Horizonte hoje, sem dúvida, é a capital do futebol brasileiro. Há dois anos, aliás. Não há como colocar qualquer vírgula, ainda que apagada pelo álcool dos MIMEÓGRAFOS, na campanha estrelada no Brasileiro, a mais virtuosa entre os grandes clubes brasileiros nestes dois anos. O que o Galo fez, no entanto, foi obra da mais diabólica e ludibriante LADAINHA, nos passando a conversa como se fôssemos senhorinhas palpitantes do século dezenove, sentadas no sofá de veludo à espera de emoções que os telegramas não conseguiam suprir. Sempre nas noites de quarta. Porque no domingo o Galo descansa.

Comandado por Levir Culpi, o Atlético-MG pulverizou os conceitos de pragmatismo e “todo jogo vale três pontos” e viveu um semestre frenético, sem compromisso com a rotina. Histérico, como preferimos nós, as bestas do apocalipse, ou talvez apenas as bestas, que morremos por um mata-mata e nos sentíamos lambidos pela sorte cada vez que um atleticano destroçava a lógica para continuar sua caminhada na Copa do Brasil. Sempre nas noites de quarta. Porque domingo a gente também descansa.

O Cruzeiro flanava pelos gramados como uma entidade abstrata, GASOSA, enquanto o Galo era aquele semideus que cumpria as tarefas flertando com a miséria limítrofe. Basta vermos aquelas reviravoltas surreais e desde já históricas contra Corinthians e Flamengo, além da invencibilidade em TODOS os clássicos que apareceram pelo caminho, a prova indiscutível de quem este Galo adquire facetas monstruosas quando o colocam numa rinha. Nós queremos o mundo, mas é melhor quando o conquistamos perto de casa.

Assim, mesmo o Galo, em sua volúpia desatinada, deve ter se mostrado um tanto insatisfeito com o cansaço do Cruzeiro, que pouco lhe exigiu na final das finais, o jogo dos jogos. A Copa do Brasil do Galo, no entanto, jé estava devidamente rubricada – na história, em Minas e no mundo, que hoje é tudo a mesma coisa, e no uniforme branco do campeão brasileiro. Que amanhã vai manter as janelas fechadas.

Redação com Rádio Tangará

About The Author
newsmt

Tem algo a dizer sobre essa matéria?