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CRISE EM MT: Economia em MT só deve se restabelecer em 2017, diz analista
agosto 17, 2015 Destaque Banner

Economista afirma que setores de serviço e construção civil são os mais afetados

A crise financeira que atinge o Brasil só deverá melhorar a partir de 2017, aponta o economista Peter Wilhelms. As áreas da construção civil e o setor de prestação de serviço são as partes mais afetadas da economia no Estado, segundo ele.

O piloto de aeronaves William Souza está desempregado há um ano. Ele contou que a crise econômica afetou o setor da aviação, fazendo com que tivesse que ir para outra área.

“O mercado de trabalho na aviação está crítico, várias empresas e grupos agropecuários chegaram à conclusão de que não é mais viável manter um avião”, disse.

Conforme Souza, o alto valor do combustível, do trem de pouso e a redução da lucratividade fizeram com que empresários dispensassem o meio de transporte aéreo.

Enquanto aguarda nova oportunidade no mercado aeronáutico, William Souza trabalha vendendo lâmpadas de LED.

“Investi R$ 20 mil e não obtive retorno, pois só trabalhei dois anos na área. Espero conseguir novamente um emprego como aviador”, disse.

A estudante de enfermagem Josiete Souza, de 23 anos, há sete meses, mudou-se de Manaus (AM) para Cuiabá. Desde que chegou à capital mato-grossense, a jovem está desempregada.

“Tentei emprego aqui em Cuiabá, mas não encontrei. Também procurei na área de administração, onde tenho experiência, e mesmo assim não achei nada”, observou.

De acordo com o economista Peter Wilhelms, o cenário econômico do País não deverá ser promissor no próximo ano.

“Em 2016, o Brasil ainda enfrentará efeitos da crise, mais calmos que os deste ano, e estará se estabilizando. Mas, em 2017, se tudo der certo, vamos ter uma volta da inflação normal”, afirmou.

“(…) mas, em 2017, se tudo der certo, vamos ter uma volta da inflação normal”

Ele disse que as dificuldades financeiras no Estado não têm a mesma dimensão de outras regiões do país. O principal motivo seria o fato de a economia em Mato Grosso ser focada no agronegócio.

“O corte de empregos em Mato Grosso é menor que em estados do Sudeste, em função de ser uma região agrícola. Apesar disso, a crise existe, sim”, afirmou.

Wilhelms observou que os setores das indústrias, presentes na região Sudeste, foram ao mais atingidos pelo desaquecimento da economia.

As principais causas para a atual situação financeira do Brasil são investimentos feitos em anos anteriores.

“Nos anos anteriores, o Governo realizou uma política para acelerar o crescimento econômico. Essa ação interferiu na economia, de 2012 a 2014, através da redução de impostos para carros e eletrodomésticos. Houve também facilitação no financiamento da casa própria, programas sociais e obras da copa”, disse..

Essas ações de facilitação econômica teriam aquecido a economia de anos atrás, dando estímulo a grandes investimentos.

“Deu a sensação de que estava tudo bem. Achavam que esses incentivos aumentariam a economia e a arrecadação, porque as pessoas gastando mais, criaria mais impostos ao país”.

O economista explicou que fatores externos acabaram dificultando o crescimento financeiro do Brasil. Assim, neste ano, o Governo Federal ficou com dívidas e sem condições de saná-las.

“Por causa das dívidas, o País parou de investir, porque não tinha mais dinheiro. Essa desaceleração gerou a crise”, disse.

Wilhelms explicou que, em 2014, a inflação fechou em 6,41%. De junho do ano passado ao mesmo período deste ano, o índice foi de 8,47%. O aumento representa alta no dólar, que ocasiona alta nos preços.

Construção civil

A construção civil foi um dos setores mais prejudicados neste ano, em razão da paralisação de obras e redução de incentivos financeiros.

“O investimento nas construções de imóveis diminuiu muito, o mercado deu uma reduzida por causa da taxa de juros alta. Agora está mais difícil financiar a casa própria”, disse Peter Wilhelms.

Em razão da paralisação de obras no Estado, na última semana o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Cuiabá e Municípios (Sintraicccm) e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada e Afins de Mato Grosso (SIntecomp) encaminharam ofício para assegurar os empregos da classe.

Os sindicatos enviaram pedido à Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), pedindo a criação de uma Câmara Técnica, que irá discutir a empregabilidade dos trabalhadores da categoria no Estado.

Em contrapartida, a Setas apresentou proposta de ações para os trabalhadores da construção civil.

Entre as ações da pasta, estão previstas a disponibilização de equipe de atendimento do Sine aos operários e explicações sobre o seguro-desemprego.

O presidente do Sintraicccm, Joaquim Santana, disse ao MidiaNews que a construção civil está em ritmo desacelerado porque os empresários do setor temem o prejuízo financeiro.

“Os empresários estão com o ‘pé no freio’, por causa do medo da crise financeira. Não acredito que haja crise em Mato Grosso, devido ao desenvolvimento do Estado”, declarou.

Santana ainda contou que há empresas que, realmente, enfrentam dificuldades para se manter. O fato acaba assustando outros empresários do ramo, que investem menos.

“A situação está regular porque os empresários não estão investindo em construções, mas são poucas as empresas que realmente estão com dificuldades financeiras”, afirmou.

Conforme o presidente do sindicato, as obras da Copa não tiveram repasse total a algumas construtoras.

Este seria um dos principais motivos para o atual cenário econômico das construções no Estado.

Menos corridas

Outra área bastante afetada pela atual situação econômica do país, o setor de serviços, como cabeleireiros e restaurantes, também passa por dificuldades.

“O serviço é a primeira despesa porque, muitas vezes, é item considerado supérfluo. Tem que ter criatividade pra fazer o cliente voltar com promoção ou produto diferenciado”, contou.

O taxista Everson Aparecido relatou que, desde o início deste ano, o número de corridas diminuiu.

“As corridas caíram uns 35%, reduziu bastante nos últimos meses. A crise financeira afetou muito”, lamentou.

O trabalhador acredita que alguns antigos passageiros estão optando por andar de ônibus.

“É mais barato, por isso acredito que estão andando de ônibus. Antes, fazia em média 20 corridas por dia, agora faço 15”, disse.

Conselho aos consumidores

O economista Peter Wilhelms acha que os consumidores devem fazer alterações nas compras do cotidiano, para que possam lidar melhor com a crise.

“É importante a pessoa prestar atenção na inflação. Nas contas do final do mês, o salário vai dar para comprar menos. Se não se atentar, vai ficar com dívidas”, alertou.

A falta de empregos e as demissões acabam atingindo todos os setores da economia, segundo o economista.

“O desemprego gera um efeito cascata, porque o desempregado passa a gastar menos, vai menos aos lugares, fazendo com que estes passem a ter vendas inferiores”, explicou.

Wilhelms afirmou que o momento pede para que as pessoas fiquem mais atentas às compras.

“Não é hora de gastar muito, é momento para fazer as contas. Quando a pessoa vai ao mercado, precisa tomar cuidado com o aumento do preço, pra não ficar com grandes dívidas”, completou.

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