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Familiares dos pilotos cobram celeridade nas investigações
outubro 9, 2014 Destaques

Familiares e amigos do piloto Evandro Rodrigues de Abreu e do copiloto Rodrigo Frais Agnelli, desaparecidos há 19 dias, fizeram um protesto na manhã desta quinta-feira (9), em frente ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Usando roupas brancas, com faixas e cartazes, os familiares cobraram respostas da polícia de Mato Grosso sobre a situação. Os pilotos teriam supostamente sido sequestrados após um roubo da aeronave que eles estavam a bordo, no dia 20 de setembro, no aeroporto municipal de Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, região que faz fronteira com a Bolívia

“Eles [os policiais] falam que estão investigando, que estão empenhados, mas não têm nada concreto para nos passar. São dias desesperadores e angustiantes. A sensação de não poder fazer nada é muito ruim”, declarou Ao G1 Márcia Maria Pinheiro de Abreu, esposa do piloto.

Evandro é casado e tem dois filhos: um adolescente de 14 anos e uma menina de 9. A mulher dele disse que a última vez que teve contato com o marido foi um dia antes do desaparecimento. A principal reclamação dos familiares é a falta de informação e desconhecimento do paradeiro dos piloto

Segundo a mulher do piloto, Evandro tem 20 anos de profissão, trabalho em grandes empresas aéreas. Há um ano escolheu atuar no setor particular da aviação justamente para ter mais chances de estar perto da família. O avião King Air, prefixo ATY, pertencia à candidata ao governo de Mato Grosso Janete Riva (PSD), que fazia campanha eleitoral na época do roubo do avião e sequestro dos pilotos.

Além da falta de resposta, Márcia tem que lidar todos os dias com a cobrança feita pelos filhos. “Eles estão me dando trabalho. Às vezes ficam calados ou às vezes me perguntam toda hora [do pai]. Não querem se alimentar e estão revoltados com a situação. Só temos a esperar. O que podemos fazer?”, indagou Márcia.

“Profissão de risco“

Alguns pilotos, colegas de profissão e amigos dos dois pilotos desaparecidos reclamam da sensação de insegurança no setor que trabalham. “Todos os pilotos estão nessa mesma situação, da falta de segurança nas pistas do interior. Ele [Evandro] nunca reclamou de insegurança, somente disse que os aeroportos eram bem desertos”, disse a esposa de Evandro. 

Para Alessandra Ribeiro, cunhada de Evandro, que também é casada com um piloto, o roubo da aeronave foi planejado e acredita que alguém estava seguindo os pilotos. “É uma profissão de risco. É o risco de ser levado e ficar nessa incerteza. Já são 19 dias e não temos notícia, não temos nada. Só a saudade, a angústia e o medo. É uma incerteza, meu marido também é piloto, nossos amigos são pilotos. Todos têm esse medo. A gente fica sem notícia, sem ter a quem buscar e aonde buscar. É difícil, complicado”, comentou Alessandra.

A família do copiloto Rodrigo Frais Agnelli é de Maringá, no Paraná, de onde acompanham as investigações. A esposa de Rodrigo, com quem tem dois filhos e mora em Mato Grosso, preferiu ficar no Paraná diante dessa situação.

Investigação

Para a Polícia Civil, a aeronave foi roubada para o uso do narcotráfico. A principal hipótese é que o avião foi levado, juntamente com os pilotos, para a região da Bolívia. Porém, o caso se torna complicado já que o avião está sem rastreador e os celulares dos pilotos estão desligados. Além disso, o roubo da aeronave não foi testemunhado por nenhuma pessoa. Quase 20 dias depois, nenhum contato telefônico foi feito e nenhuma pista do avião foi encontrada.

Os policiais já fizeram buscas por cidades bolivianas e também em fazendas do país vizinho, porém, todas as ações não tiveram sucesso. No final do mês de setembro a operação de busca pelos pilotos chegou a ficar restrita à polícia boliviana. Semanalmente a polícia vai e volta do país vizinho em busca de informações sobre os pilotos ou a aeronave.

Fonte: G1MT

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