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Gráfico mostra “mapa da propina” em desvios de R$ 15,7 milhões
outubro 14, 2016 Destaques
Denúncia aponta que Silval foi o maior beneficiário do esquema envolvendo compra de terreno

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Na denúncia criminal do Ministério Público Estadual (MPE) relacionada a quarta fase da Operação Sodoma da Polícia Civil, a promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco descreveu o que pode ser configurado como o “mapa da propina”, que traça a linha de pagamento dos R$ 15,857 milhões desviados dos cofres públicos por meio de uma fraude no pagamento de desapropriação do bairro Jardim Liberdade I.

O esquema foi desbaratado na “Operação Sodoma 4”, que resultou no cumprimento de seis mandados de prisão.

De acordo com gráfico, o maior beneficiário do dinheiro desviado foi o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que recebeu R$ 10 milhões. O dinheiro seria usado para quitar uma dívida de R$ 40 milhões mantida com o empresário Valdir Piran. O ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, recebeu R$ 2,452 milhões. Coube ao procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, receber R$ 1,106 milhão.

Receberam igualmente a quantia de R$ 607.750 mil os ex-secretários de Estado Arnaldo Alves (Planejamento) e Marcel de Cursi (Fazenda). A mesma quantia foi recebida pelo ex-presidente do Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso), Afonso Dalberto.

O pagamento feito à organização criminosa, no entanto, não se deu de uma única vez. No total, foram sete parcelas com o primeiro pagamento em abril e o encerramento em novembro de 2014.

O primeiro a receber foi o empresário Filinto Muller. No dia 23 de abril de 2014, recebeu R$ 118.931 mil a título de comissão por aceitar lavar o dinheiro desviado dos cofres públicos.

No dia seguinte, houve pagamentos a Afonso Dalberto, Marcel de Cursi e Arnaldo Alves no valor de R$ 243 mil. Já Pedro Nadaf e Chico Lima receberam cada um R$ 308.221 mil. Outros R$ 2,5 milhões foram destinados ao empresário Valdir Piran a mando do ex-governador Silval Barbosa.

A segunda parcela se deu no dia 16 de maio. Afonso Dalberto. Marcel de Cursi e Arnaldo Alves receberam R$ 121.500 mil. Pedro Nadaf e Chico Lima R$ 154.100 mil. O empresário Filinto Muller recebeu a comissão de R$ 59.465 mil.A quantia de R$ 1,250 milhão foi direcionada a Valdir Piran novamente a mando de Silval Barbosa.

Com esses mesmos valores, foram feitos os pagamentos da terceira e quarta parcela. Na quinta parcela paga no dia 29 de agosto de 2014 Chico Lima e Pedro Nadaf receberam R$ 672.722 mil e um funcionário de Piran, a quantia de R$ 1,250 milhão. Novamente, Filinto Muller recebeu a quantia de R$ 59.465 mil.

A sexta parcela foi paga na segunda quinzena de outubro de 2014. A título de comissão Filinto Muller recebeu R$ 59.460 mil. A quantia de R$ 673 mil foi entregue a Pedro Nadaf e R$ 1,250 milhão a novamente ao funcionário de Piran. A sétima parcela se concretizou na primeira quinzena de novembro de 2014 com os mesmos valores do pagamento relacionado à última parcela.

A divisão dos valores recebidos por cada um dos membros que o Ministério Público Estadual (MPE) classifica de organização criminosa se deu pelos rastreamentos de cheques fornecidos pelo empresário Filinto Muller na delação premiada. Ainda foi revelado por Filinto Muller que a propina paga correspondeu a aproximadamente R$ 15,857 milhões com os pagamentos feitos em contas bancárias de beneficiários indicados por cada integrante da organização criminosa.

Com a identificação dos valores recebidos por cada um dos membros do que o Ministério Público considera organização criminosa foi possível identificar a função de cada um dos seus componentes.

“Neste contexto, podemos destacar que o ex-secretário Pedro Jamil Nadaf foi o responsável pelo repasse dos valores de propina referentes a parte do ex-secretário Marcel Souza de Cursi  e ainda que nas parcelas o ex-secretário Pedro Jamil Nadaf , bem como o procurador aposentado do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho foram responsáveis pela distribuição de propina para os demais integrantes da organização criminosa com o dinheiro já lavado pelo núcleo da lavagem de dinheiro, que conforme demonstramos no decorrer das investigações é composto pelo advogado Levi de Oliveira Machado, pelo empresário Filinto Muller e o empresário Sebastião Faria e ainda a empresa S F Assessoria e Organização de Eventos Eireli ME”, completa a denúncia criminal.

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