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GRIPE H1N1: Casos suspeitos aumentam; morte é confirmada em Mato Grosso
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GRIPE H1N1: Casos suspeitos aumentam; morte é confirmada em Mato Grosso

by newsmtabril 4, 2016

Casos da doença acenderam alerta no Estado; Secretaria de Saúde diz que não há motivos para medo

As mortes de um idoso de 73 anos e de uma criança indígena de um ano trouxeram à tona a gripe H1N1 em Mato Grosso.

Os exames comprovaram que o homem havia morrido em razão da doença.

A causa do falecimento do menor de idade, no entanto, ainda aguarda resultado de exames laboratoriais para comprovar se ele também foi vítima da gripe.

Assim como o falecimento do garoto, outras seis mortes em Mato Grosso, ocorridas neste ano, estão sendo investigadas por suspeita de gripe H1N1. Outros 21 casos no Estado, que não ocasionaram óbitos, também estão sendo analisados.

As cidades com mais suspeitas de ocorrência da doença no Estado são Rondonópolis e Cuiabá, ambas com 10 casos sendo analisados.

Ao longo do ano passado, de acordo com dados divulgados sobre a doença, não houve nenhum caso em Mato Grosso.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que, em virtude do aumento de casos suspeitos neste ano, deverão ser feitas análises para descobrir as causas para o acréscimo nas notificações da doença.

Conforme a pasta, por não haver confirmações sobre grande parte das ocorrências, é mais difícil realizar, por enquanto, um estudo sobre os motivos que fizeram crescer os números da Influenza — como também é conhecido o H1N1.

As notificações que ainda não tiveram os exames laboratoriais concluídos foram relatadas como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que possui sintomas iguais à gripe. Febre, tosse, dor de garganta e falta de ar são características da SRAG, assim como do H1N1.

De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES, Flávia Guimarães, as suspeitas de Influenza podem ser outros tipos de vírus.

Ela prefere aguardar os resultados dos exames, que são feitos em um laboratório fora do Estado, para analisar as ocorrências.

“Os casos suspeitos podem ser, na verdade, qualquer outro tipo de vírus, não somente o H1N1. Pode ser caso de H3N2, Influenza B ou qualquer outro tipo de gripe”, explicou.

Conforme Flávia, apesar de haver aumento nas suspeitas de circulação do vírus no Estado, a situação não deve ser considerada alarmante.

“A gente está tendo um número de caso que é esperado pelo período. Não está havendo, ao menos neste momento, nenhum aumento exorbitante”, assegurou.

Flávia afirmou que o atual período do ano tem influência no aumento dos pacientes com gripe.

“Estamos no outono e nesse período o aumento de casos de gripe já são esperados. Nessa época, há mais registros da doença em todo o mundo”, comentou.

Ela explicou que a redução na temperatura acaba favorecendo a transmissão da Influenza.

“As pessoas se aglomeram mais durante os períodos como outono e inverno, elas ficam mais próximas e isso acaba fazendo com que aumente o número de casos”, justificou.

A coordenadora de Vigilância Epidemiológica ainda contou que, apesar do crescimento nas suspeitas e da estação favorável à Influenza, Mato Grosso ainda é um Estado com baixos registros da doença.

“Os estados mais frios têm mais propensão aos casos de gripe, pois o vírus sobrevive mais em lugares assim. No calor, o vírus acaba morrendo mais facilmente”, argumentou.

Mortes

Os grupos de riscos, nos quais a doença pode apresentar quadros mais graves, são crianças de seis meses a cinco anos, idosos, gestantes, trabalhadores de saúde das unidades que fazem atendimento para a influenza, trabalhadores do sistema prisional, população indígena e portadores de doenças crônicas.

Nas pessoas que fazem parte do grupo, o H1N1 tende a ter efeitos mais intensos, que podem culminar em morte, como o caso do homem de 73 anos.

O idoso, que estava internado em um hospital de Cuiabá, faleceu depois de contrair a doença.

Segundo Flávia, as consequências podem variar de uma simples gripe a algo mais grave. Ela contou que as sequelas dependem de como o organismo do doente reagirá.

“O fato de você ter contato com o vírus não quer dizer que você vá adoecer ou que a doença terá gravidade”.

“Para o idoso, as consequências podem ser maiores porque ele faz parte do grupo de risco, assim como as crianças. Eles têm mais possibilidades de evolução da doença, o que pode acabar levando a óbito”, disse.

Os considerados grupos de riscos são assim classificados em razão de possuírem sistema imunológico mais fraco.

“Nessas pessoas, o vírus desencadeia um quadro mais grave porque elas possuem o organismo mais fragilizado. Elas tentam reagir aos sintomas da doença, mas nem sempre conseguem”, declarou a coordenadora de Vigilância Epidemiológica.

Os sete casos suspeitos de morte por H1N1 ainda aguardam o resultado dos exames, que deve durar de 30 a 60 dias depois do envio de secreções nasais, utilizadas para as análises, ao laboratório especializado.

“Mesmo que haja suspeita, até o momento não há a confirmação de nenhuma outra morte no Estado, além do idoso, por causa da Influenza”, disse Flávia.

Entre as suspeitas, está a morte de uma criança indígena de um ano, que estava internada no Hospital Regional de Colíder e apresentava síntomas de H1N1. Ele faleceu oito dias após chegar à unidade de saúde. O exame que deve diagnosticar se ele tinha a doença ainda não tem prazo para conclusão.

Transmissão

A pandemia do H1N1 aconteceu no ano de 2009, depois de ele ter sido descoberto no México e se espalhado pelo mundo. Na época, a doença era conhecida como gripe suína.

A transmissão da Influenza ocorre por via respiratória, quando o doente fala, espirra ou tosse. O contágio também pode acontecer a partir do contato com superfícies infectadas, como mesas ou portas.

Para evitar a doença, a coordenadora de Vigilância Epidemiológica aconselhou que as pessoas tomem cuidados básicos no cotidiano.

“É importante que as pessoas lavem sempre as mãos, utilizem lenços descartáveis ao tossir ou espirrar e evitem contato com doentes, para não acontecer o contágio”, orientou.

A profissional ainda aconselhou que aos primeiros sintomas da doença, como tosse, falta de ar ou febre, as pessoas devem procurar uma unidade de saúde.

Vacinação

A partir de 30 de abril, tem início a “18ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza”, que acontece até 20 de maio. De acordo com a SES, o objetivo é imunizar 698.212 pessoas no Estado.

A gerente de Vigilância em Agravos da secretaria de saúde, Cláudia Soares de Sousa, explicou que é importante que a vacina seja tomada anualmente.

“A cada ano esta gripe pode se apresentar de forma diferente, assim como a infecção pode afetar diferentemente as pessoas. A principal intervenção preventiva em saúde pública para este agravo é sem dúvida, a vacinação”, afirmou.

O público-alvo da campanha são as pessoas que compõem os grupos de risco. Porém, todos podem se vacinar contra a doença.

Com Midia News

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