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LUCAS DO RIO VERDE: Caminhoneiros recebem doações de alimentos e ajuda para tomar banho
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LUCAS DO RIO VERDE: Caminhoneiros recebem doações de alimentos e ajuda para tomar banho

by newsmtfevereiro 26, 2015

Uma base foi montada para fornecer comida a manifestantes, em MT.

Sem local para tomar banho e se alimentar nas rodovias federais, em Mato Grosso, os caminhoneiros estão dependendo da boa vontade dos moradores das regiões onde ocorrem os bloqueios. Em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, na BR-163, onde foi dado início ao movimento no estado, eles recebem ajuda de voluntários e de empresas. Os médicos do município, por exemplo, doaram 22 cestas básicas para o movimento. As interdições no estado começaram há oito dias.

Uma base, com uma cozinha, foi montada por lideranças do movimento para atender os caminhoneiros que encontram-se parados, de acordo com um dos representantes dos manifestantes dessa região e empresário do ramo de transportes, Gilson Baitaca. Um ônibus também foi disponibilizado para fazer o transporte dos motoristas que se encontram em locais mais distantes desse local, na saída de Lucas do Rio Verde, no sentido Nova Mutum, a 269 km da capital.

 

“Temos uma equipe de cozinheiros e um ônibus que percorre as filas e leva os caminhoneiros para tomar banho e comer. Depois, retorna com eles”, afirmou o empresário. Além da associação médica de Lucas do Rio Verde, outras pessoas estão doando gêneros alimentícios aos manifestantes. “Os agricultores doaram carnes e os caminhoneiros estão se alimentando bem”, pontuou. Na base, tem um refeitório para que os motoristas possam fazer a refeição lá. Eles fazem quatro refeições por dia.

 

Um dos voluntários é o também caminhoneiro Altair Bonin. Ele disse que está dando apoio aos manifestantes em solidariedade, já que mora na região e não está com o caminhão parado na rodovia. “Estamos fazendo comida debaixo de um barraco para que ninguém sofra com a falta de comida e possam tomar banho”, contou. O bloqueio em trecho da BR-163 começou na na quarta-feira passada (18) e, com o passar dos dias, foi ampliado o número de bloqueios no estado, chegando a 10 pontos.

Nesta quarta-feira (25), as mais de 20 cestas básicas foram entregues aos responsáveis pelo movimento, naquele município, após mobilização dos médicos. De acordo com o presidente da Associação Médica, Evandro Martins, disse que a categoria decidiu ajudar os caminhoneiros diante da necessidade deles. “As reivindicações são específicas da classe, mas é um despertar. Pelo fato de ‘mostrarem a cara’, resolvemos ajudar”, explicou. Ele também pontuou que muitos caminhoneiros estão com as famílias. “Tem crianças, mulheres, que viajavam”, avaliou.

Além da BR-163, outras duas rodovias federais estão trancadas por caminhoneiros, em Mato Grosso. A Justiça Federal já mandou liberar as vias, mas a decisão ainda não está sendo cumprida.

Sem acordo
A proposta do governo federal feita nesta terça-feira (25), durante reunião com representantes dos caminhoneiros, não atende aos anseios dos caminhoneiros, conforme Gilson Baitaca. Ele disse que a pessoa que representou a categoria nessa reunião não tinha legitimidade para isso. “Essa pessoa nunca teve um caminhão, então não tem legitimidade para representar os caminhoneiros”, declarou.

Entre as propostas feitas pelo governo estão a aprovação da nova ‘Lei dos Caminhoneiros’; a redução do valor do pedágio cobrado de caminhões sem carga; carência de 12 meses para a compra de caminhões, além da garantia de que não haverá aumento no preço do diesel nos próximos seis meses. No entanto, para fazer essas mudanças, o governo exigiu o desbloqueio imediato das rodovias, o que não ocorreu em Mato Grosso.

Os manifestantes alegam que ainda não foram notificados da decisão da 3ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso, desta quarta-feira 25), e ainda prometem continuar a interdição mesmo após a notificação. “Se existir uma decisão, vamos resistir”, disse Baitaca.

Líderes
As definições sobre os pontos a serem bloqueados são feitas pelos representantes dos manifestantes de cada região. Nesse caso, pelos empresários do setor de transporte de carga. “Nós definimos como será o bloqueio em Lucas do Rio Verde, na BR-163. Nas outras rodovias, são os empresários do transporte de carga quem decide”, disse o empresário. Em Lucas do Rio Verde,  esse grupo é formado por cerca de 20 pessoas.

Durante reuniões, os transportadores decidem os locais que serão bloqueados e se haverá interrupção ou não. Definem, inclusive, os tipos de cargas que poderão passar pelos trechos bloqueados. Em alguns locais, estão sendo permitido o tráfego de veículos com cargas de combustíveis e de alimentos perecíveis.

 

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