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MPE recorre de decisão de juíza e pede prisão de tenente Ledur

MPE recorre de decisão de juíza e pede prisão de tenente Ledur

Oficial do Corpo de Bombeiros é acusada de excesso em treinamento que culminou na morte de aluno

O Ministério Público Estadual (MPE) recorreu da decisão da juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, e pediu a prisão da tenente do Corpo de Bombeiros Militar, Izadora Ledur de Souza, acusada de torturar o aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, em 15 de novembro de 2016.

Ledur foi denunciada pelo crime de tortura, que ocasionou na morte do aspirante.

Além dela, também foram denunciados os militares Marcelo Augusto Revéles Carvalho, Thales Emmanuel da Silva Pereira, Diones Nunes Sirqueira, Francisco Alves de Barros e Eneas de Oliveira Xavier. No entanto, somente ela foi alvo do pedido de prisão.

A oficial é apontada como a responsável pela morte do aspirante Rodrigo Patrício Lima Claro, que não resistiu a um intenso treinamento no Corpo de Bombeiros. Desde então, a atuação dela passou a ser alvo de investigação.

Na denúncia encaminhada pelo promotor Sérgio Silva da Costa, ele narrou o fato e destacou que, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

Consta na denúncia que, embora o problema tenha chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como se utilizaram de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a “intenso sofrimento físico e mental com uso de violência”.

A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente Izadora Ledur para punir Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

Em 27 de julho deste ano, Ledur tornou-se ré pela morte do jovem, após a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, aceitar denúncia do MPE contra ela e contra os outros cinco militares.

Ao aceitar a denúncia do MPE contra Ledur, a juíza não acolheu pedido para decretar prisão preventiva da militar. Porém, estipulou medidas cautelares, entre elas a utilização de monitoramento eletrônico.

Na última sexta-feira (4), o promotor Sérgio Silva da Costa recorreu da decisão da magistrada e solicitou, novamente, a prisão da tenente Ledur.

O pedido foi encaminhado à juíza Selma Arruda, que deverá remeter os autos ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

 

Ação contra tenente

Ao aceitar a denúncia do MPE contra Ledur e negar o pedido de prisão preventiva, Selma Arruda estipulou diversas medidas cautelares, além da utilização de tornozeleira eletrônica.

Entre as outras medidas estipuladas por elas estão comparecimento mensal em juízo, para informar residência e justificar suas atividades; manter distância de quaisquer locais relacionados ao Corpo de Bombeiros Militar, inclusive da Secretaria de Segurança Pública, para evitar o risco de novas infrações; proibição de manter contato com as testemunhas arroladas pelo Ministério Público e suspensão do exercício de função pública de Tenente Bombeiro até o final da instrução processual.

De acordo com a juíza, o uso do monitoramento eletrônico é para que a militar não infrinja as outras determinações e não atrapalhe o andamento das investigações.

“Todavia, há medidas cautelares diversas da prisão capazes de assegurar que a denunciada não volte a delinquir e não tenha qualquer influência junto a testemunhas, de modo a garantir tanto a ordem pública, quando a escorreita coleta de provas na instrução processual”, disse.“(…) cite-se e intime-se a acusada Iadora Ledur de Souza a tomar conhecimento da denúncia e formular defesa, bem como para que dê início ao cumprimento das medidas cautelares ora impostas”, determinou a magistrada.

 

Rádio Tangará com Mídia News