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OPERAÇÃO "FALSÁRIO": Polícia Civil indicia 14 pessoas por falsificação de diplomas
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OPERAÇÃO "FALSÁRIO": Polícia Civil indicia 14 pessoas por falsificação de diplomas

by newsmtdezembro 10, 2014

Os suspeitos foram autuados pelos crimes de falsidade ideológica e associação criminosa

A Polícia Civil indiciou 14 pessoas envolvidas no esquema de falsificação de diplomas e certificados do ensino fundamental, médio, técnico, superior e pós-graduação.

Os suspeitos foram autuados pelos crimes de falsidade ideológica e associação criminosa.

A primeira parte da operação “Falsário” foi concluída na última sexta-feira (5) e o inquérito policial encaminhado ao Fórum da Comarca de Cáceres (230 km a Oeste da Capital).

Deflagrada no final de novembro, a operação Falsário cumpriu 57 ordens judiciais em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais e resultou na apreensão de mais de 300 diplomas e certificados – que ainda seriam entregues a “clientes” – R$ 126 mil em dinheiro, R$ 28 mil em cheques, além de notebooks e computadores, entre outros documentos.

A operação descobriu que servidores públicos eram beneficiados com esquema e até médicos compraram diplomas pelo valor de R$ 90 mil, para curso superior.

Um desses diplomas, do curso de medicina, foi apreendido em Jundiaí, São Paulo. Em média, um diploma custava entre R$ 980 e R$ 1.900.

“A priori, pelas investigações da Polícia Civil, há falsidade ideológica. O conteúdo dos documentos que é falso. Esses alunos não assistiam aula presencial. As assinaturas prévias não eram feitas por eles. Eles apenas efetuavam o pagamento e recebiam em questão de um a dois meses o certificado”, destacou a delegada Anamaria Machado Costa, da Delegacia de Polícia de São José dos Quatro Marcos (315 km a Oeste de Cuiabá).

Investigação

A delegada acrescentou que, durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que o esquema de emissão de certificados falsos foi montado por um empresário dono de uma rede de laboratórios na cidade de Cáceres, identificado por Carlos Alexandre Souza, que atendia pessoas de várias partes do Brasil.

De acordo com a delegada, o empresário Carlos Alexandre mantinha em Cuiabá um escritório, identificado por “Inovar Curso Preparatório”, onde ficavam duas secretárias e dali saiam os pedidos de certificados do ensino fundamental e médio.

Havia também pedidos para emissão de diplomas técnico, nível superior e pós-graduação, porém estes eram tratados diretamente com o empresário.

As duas funcionárias também foram presas na operação e revelaram que os certificados eram emitidos para beneficiados, que encomendavam os documentos de conclusão de nível fundamental e médio, ao preço unitário de R$ 980 ou 1.900, os dois.

Conforme as secretárias, os interessados nos certificados faziam o pedido, via telefone, remetiam a documentação necessário (RG, CPF, comprovante de residência, certidão de nascimento ou casamento), para confecção do certificado que vinha de outros estados da federação.

No local, os policiais apreenderam 195 diplomas e certificados emitidos em vários Estados, principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão, para pessoas de diversas cidades do Brasil, principalmente de Mato Grosso.

Prisões

O empresário foi preso na operação na cidade de Cáceres, onde ele e a mulher administravam dois laboratórios e estavam prestes a inaugurar outro na cidade de São dos Quatro Marcos.

Ele já foi investigado em São Paulo e estaria agindo desde o ano de 1998. Em Mato Grosso, na cidade de Cáceres, o empresário fixou residência há quatro anos e passou a movimentar o esquema com apoio de colaboradores.

A delegada lembrou que as investigações iniciaram em julho deste ano, em Cáceres com denúncias da compra de diplomas para conclusão do ensino fundamental e médio.

Na semana passada foi preso em Ji-paraná (Rondônia), o cantor gospel, Donizete de Souza, apontado nas investigações como líder da quadrilha naquele estado, que estaria se desvinculando de Carlos Alexandre de Souza – articulador do esquema de fraudes no Estado de Mato Grosso -, para formar sua própria rede em Rondônia.

 

Fonte: ADILSON ROSA/MÍDIA NEWS

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