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POLICIAL CIVIL SUSPEITO DE MATAR BEBÊ EM AMARGOSA É OUVIDO E LIBERADO
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POLICIAL CIVIL SUSPEITO DE MATAR BEBÊ EM AMARGOSA É OUVIDO E LIBERADO

by newsmtjulho 18, 2014

Morte de criança revoltou população e resultado em uma série de ataques. Enterro dela na tarde desta quinta-feira reuniu grande número de pessoas.

O policial civil suspeito de atirar e matar uma criança, depois de invasão da casa da família emAmargosa, prestou depoimento, nesta quinta-feira (17), na Corregedoria da Polícia Civil, em Salvador. O policial militar que estava com ele também foi ouvido pela delegada Andreia Cardoso. Ele nega ter atirado na criança e a Polícia Civil informa que só a perícia vai poder constatar a origem do disparo.

O suspeito informou que perseguia um homicida foragido da Justiça. Relatou que, antes, recebeu um telefonema que denunciava a presença do traficante “Bolacha” no bairro Catiara. Segundo a Polícia Civil, a denúncia recebida informava que o traficante estava desmontando uma motocicleta furtada do Fórum da cidade. Ao se dirigir ao local, a equipe policial teria visto o traficante, de prenome Ricardo, acompanhado de dois homens. O policial informou que ele escondia uma arma sob a camisa e reagiu à abordagem atirando. O policial afirmou que atirou duas vezes em direção ao suspeito em via pública, negando ter disparado dentro da casa ou no quintal. Afirmou que o traficante entrou na casa e que uma mulher já saía de um dos cômodos com uma criança ferida nas mãos. Alega ainda que socorreu a criança.

A versão é contrária aos relatos dos familiares e dos moradores, que negaram ter tido troca de tiro, apontando a ocorrência de apenas três disparos. O pai Luis Carlos Silva, de 22 anos, disse que uma pessoa entrou na casa e um padeiro disse que essa pessoa era ele. Familiares confirmaram que os policiais prestaram socorro, mas depois de insistência. “Eles só deram socorro e levaram minha filha para o hospital porque a população chegou em cima”, disse o pai.

A assessoria da Polícia Civil informa que o relato do investigador vai ser apurado e que só a perícia vai confirmar a origem do disparo que matou a criança. O enterro aconteceu durante a tarde e foi acompanhado por grande número de pessoas. O crime provocou série de ataques, resultado em quase 50 veículos e a delegacia local destruídos.

A cidade teve reforço de 100 policiais militares 30 civis. Segundo a polícia, a delegacia da cidade corre risco de desabar. De 14 presos que fugiram, dois já haviam sido recapturados e três se entregaram nesta quinta-feira;

O secretário da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), Maurício Barbosa, se reuniu com diversas autoridades na tarde desta quinta-feira. Entre elas, a prefeita Karina Silva.

“A verdade vai ter que aparecer. A verdade que os policiais estão dizendo ou a verdade que as pessoas que testemunharam o fato venham a dizer. Tudo leva a crer que, de fato, o que houve, se não foi um acidente, foi imprudência, uma imperícia. Houve o dolo de matar a criança, houve a vontade explícita? Nós temos que apurar isso tudo para que uma injustiça não leve a uma outra”, relatou o secretário.

Sofrimento da família
Muito abalado e amparado por amigos, o comerciante Luis Carlos Silva, de 22 anos, chegou por volta das 15h para o velório da sua única filha, de apenas um ano e um mês. A menina foi baleada na cabeça no momento em que estava no colo do pai, no sofá. “Estava com minha filha no braço, vendo televisão, ela me dando beijo, quandos os dois policiais entraram e atiraram. Ela foi baleada no meu colo. Eles nem ligaram para dar socorro, mandaram eu ir para a desgraça”, disse.

Ele conta que os dois policiais entraram na casa e tentaram balear um homem, que teria fugido e invadido a residência momentos antes. “Eles só deram socorro e levaram minha filha para o hospital porque a população chegou em cima. Mas não teve jeito. Ela morreu no hospital mesmo”, disse. O crime também foi presenciado pela mãe da criação, que disse que tentou conversar com os dois policiais. “Eles viram minha sobrinha atingida e disseram que estavam acostumados com isso”, afirma Letícia santos, tia da criança.

Casa (amarela) onde criança morava e foi morta em Amargosa (Foto: Ruan Melo/G1)Casa (amarela) onde criança morava e foi morta em Amargosa (Foto: Ruan Melo/G1)

Caos
Trinta motos, 18 carros e um ônibus foram incendiados na ação de um grupo de moradores na cidade. Além disso, o grupo ainda invadiu a delegacia, roubou todas as armas, liberou os presos, destruiu e queimou o local.

De acordo com o delegado titular da 4ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/ Santo Antônio de Jesus), Paulo Roberto Guimarães, que gerencia a segurança na região, 16 presos foram libertados da carcerarem após invasão do grupo. Desses, dois já foram recapturados.

Segundo Guimarães, durante o conflito, a delegada, o juiz e o promotor do município se refugiaram em um hotel da cidade. Ele afirmou que as autoridades se hospedaram no local por motivo de segurança, já que a sede da delegacia da região foi completamente destruída pelos bandidos.

Durante a ação do grupo, todo o armamento da delegacia local foi roubado entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira. Segundo o coronel Aldemário Xavier, que atua na cidade, 18 pessoas foram ouvidas pela polícia e liberadas. Xavier ainda informou que o caos estabelecido na cidade está controlado na manhã desta quinta-feira.

Conflito
Conforme o delegado Paulo Roberto Guimarães, o conflito começou quando dois policiais iniciaram a perseguição de um assaltante de motos, que teria ligação com tráfico de drogas. Durante a perseguição, o susposto criminoso invadiu a casa de uma família e, na tentativa de atingir o suspeito, um dos agentes acertou um tiro em uma criança, que acabou morrendo no local. Segundo a SSP, a suspeita é de que o tiro tenha partido da arma de um policial civil.

Caos
Após a morte de uma menina de um ano de idade, um grupo de pessoas invadiu e destruiu a delegacia da Polícia Civil.

Segundo com uma moradora, que não quis se identificar, o grupo circulou pela cidade virando e incendiando carros e fazendo ameaças a todos. “Eles passaram aqui na frente, encapuzados, dizendo que iam colocar fogo em tudo. Nós estamos apavorados. Apagamos as luzes e estamos calados em casa para não perceberem que estamos aqui. A cidade está isolada”, afirma.

Amargosa revolta 3;bahia (Foto: Marcello Dial/Site Voz da Bahia)
(Foto: Marcello Dial/Site Voz da Bahia)

Ela conta que entrou em contato com a Polícia Militar, mas foi informada que não havia militares sufucientes no momento para conter a ação dos criminosos. Porém, um reforço de mais de 30 homens do 14º Batalhão da PM de Santo Antônio de Jesus foi enviado e já está em operação na cidade.

G1 conversou com a assessoria da Polícia Civil, que informou que “as ocorrências teriam iniciado possivelmente após uma criança ter sido atingida durante uma troca de tiros, e que foram tomadas todas as medidas de corregedoria para saber qual a extensão do envolvimento do policial civil no caso”. Além disso, uma equipe de delegados está a caminho de Amargosa, para colher depoimentos das testemunhas.

 

A Polícia ainda não sabe porque a casa da vítima foi invadida, se era residência de algum envolvido com a criminalidade e nem em que parte do corpo a menina foi atingida.

 

O policial envolvido no caso terá a arma apreendida, para ser periciada, e deve comparecer à corregedoria da Polícia Civil, em Salvador, ainda nesta quarta-feira. O local onde a vítima foi atingida também será periciado. Um inquérito será aberto para apurar as circunstâncias.

Amargosa revolta 5:bahia (Foto: Marcello Dial/Site Voz da Bahia)

-Grupo destruiu a delegacia do município de
Amargosa (Foto: Marcello Dial/Site Voz da Bahia)

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