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"Quarenta pessoas comandavam a falcatrua", diz delegado da PF
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"Quarenta pessoas comandavam a falcatrua", diz delegado da PF

by newsmtnovembro 28, 2014

Dos 52 investigados que possuem a prisão preventiva decretada, 22 ainda não foram encontrados

O delegado Hércules Ferreira Sodré, da Delegacia de Defesa Interinstitucional da Polícia Federal, afirmou que as 80 famílias investigadas na Operação “Terra Prometida” são responsáveis por concentrar, de maneira ilegal, mil lotes em terrenos da União, na cidade de Itanhangá (a 458 km de Cuiabá).

Cada lote é avaliado pela PF em R$ 100 mil, totalizando um prejuízo de pelo menos R$ 1 bilhão.

De acordo com Sodré, a quadrilha agia há muito tempo e era formada por grandes grupos empresariais, sob o comando de milionários.

“Os líderes eram prefeitos e vereadores e dois irmãos do ministro da Agricultura Neri Geller. A família Geller é investigada, mas o ministro não”

“Eles agiam divididos em 1º e  2º escalões, com a participação de políticos, servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e presidente de sindicatos rurais”, disse.

“Ao todo, cerca de 40 pessoas que comandavam as falcatruas. Os líderes eram prefeitos e vereadores e dois irmãos do ministro da Agricultura Neri Geller. A família Geller é investigada, mas o ministro não. Além dessa família, o Grupo Fiagril, o qual faz parte o ex-prefeito de Lucas de Rio Verde, Marino Franz, também participou do esquema”, disse o delegado.

Segundo a Polícia Federal, Fiagril, Geller, Versari, Tobaldini e Bertolini eram os grupos que usavam laranjas para conseguirem os hectares invadidos em Itanhangá.

“Esses grupos não tinham condições de ter um terreno da União. Então, eles pagavam laranjas para receberem os títulos do Incra em seu nome. Isso também contava com ajuda de servidores do Instituto. Os presidentes de sindicatos também apoiavam a falcatrua”, afirmou.

Só o grupo dos Geller, de acordo com a PF, teriam conseguido, de forma ilegal, 15 lotes, sendo cada lote com uma área de 100 hectares e avaliados, cada um, no valor de R$ 1 milhão.

“Esses grupos não tinham condições de ter um terreno da União. Então, eles pagavam laranjas para receberem os títulos do Incra em seu nome. Isso também contava com ajuda de servidores do Instituto”

“Os irmãos Geller tinham 15 lotes com nomes de parentes e laranjas. Quem ajudou eles a conseguirem a inscrição foi um servidor chamado Jesuíno Guimarães, que trabalhava no Incra, gerenciava a terra e ainda simulava uma vistoria no local”, contou Sodré.

A Operação

A Operação “Terra Prometida” foi desencadeada nesta quinta-feira (27) pela Polícia Federal, e desmantelou um esquema que envolvia empresários, fazendeiros, produtores rurais e políticos.

A área do assentamento Itanhangá, que conta com 1.149 lotes, era palco da ação do bando.

Toda área da União investigada pela Polícia Federal está sendo usada atualmente como plantação de soja, fazendas ou latifúndios.

Dos 52 investigados que possuem a prisão preventiva decretada, 22 ainda não foram encontrados.

Segundo a PF, se eles não se apresentarem até a meia-noite de hoje (27), serão dados como foragidos da Justiça.

Segundo a representante do Ministério Público Federal, a procuradora da República Ludmila Monteiro, além de corrupção ativa, suborno e receptação, os envolvidos do grupo também serão indiciados por desmatamento e exploração ilegal de madeira.

“Além da esfera criminal, os investigados também responderão processo civil por desmatar área ilegal e explorarem madeira ilegal. A pena deles pode ultrapassar os 20 anos, caso sejam condenados”, disse.

Segundo a promotora, o MPF tem interesse em retomar os terrenos, mas ainda estuda o que será feito da área, já que está devastada.

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