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Riva diz que Taques é "protegido" pelo Ministério Público
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Riva diz que Taques é "protegido" pelo Ministério Público

by newsmtjulho 18, 2014

Candidato do PSD também critica procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Candidato ao Governo do Estado, o deputado estadual José Riva (PSD) afirmou, nesta quinta-feira (17), que o senador Pedro Taques (PDT), seu adversário na disputa, tem “tratamento privilegiado” por parte do Ministério Público, por ter sido membro da instituição em âmbito federal.

Esse tratamento, segundo Riva, o beneficiaria na disputa pelo Palácio Paiaguás.

“Os outros candidatos ao Governo vão ter um problema sério. Nenhum de nós tem a proteção do Ministério Público como tem o doutor Pedro Taques”

“Os outros candidatos ao Governo vão ter um problema sério. Nenhum de nós tem a proteção do Ministério Público como tem o doutor Pedro Taques”, afirmou Riva, em entrevista àRádio Mix .

Taques foi eleito senador por Mato Grosso em 2010, depois de deixar a carreira de procurador da República, onde atuou, inclusive, em casos de acusação contra o próprio José Riva.

O deputado citou o exemplo da visita do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a Cuiabá, no último dia 10. Ele veio tratar dos desdobramentos da Operação Ararath, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro no Estado, com a Polícia Federal.

“Vocês viram o que é um procurador-geral vir a Cuiabá fazer campanha para um candidato. Foi isso o que aconteceu: o procurador Janot veio fazer campanha. Afinal, ele centrou suas declarações, em entrevistas, nos adversários do senador Pedro Taques. Inclusive, fazendo comentários sobre inelegibilidade. Uma vez que é dos quadros da Justiça, ele pode, mais tarde, ter que opinar sobre isso e, desde já, passa a ser suspeito. Ele já tem opinião formada”, afirmou Riva.

“O procurador Janot nunca veio aqui em momentos mais críticos. Então, isso é no mínimo preocupante”, completou o parlamentar.

O advogado José Antônio Rosa, responsável pela assessoria jurídica da campanha de Riva, também criticou, nesta semana, a postura do procurador-geral da República.

Na ocasião, Janot disse acreditar que Riva poderia “encontrará dificuldades” para conseguir o registro de candidatura junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

No entendimento do advogado, o procurador extrapolou de suas funções e atuou como “advogado de acusação” contra Riva.

Durante a entrevista à Rádio Mix, Riva afirmou que, por enquanto, não pretende ingressar com ação de suspeição contra o procurador e que confia na Justiça.

“Tenho muita confiança na Justiça, numa decisão isenta do TRE. Vamos aguardar o desenrolar do processo”, afirmou.

Na segunda-feira (15), Pedro Taques pediu a impugnação do registro de candidatura de Riva, alegando que o registro foi feito fora do prazo e que o deputado está inelegível, enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

A coligação de Riva, por sua vez, também pediu a impugnação de Taques, alegando irregularidade na convenção do PDT que o escolheu como candidato a governador, e que o candidato a vice-governador da chapa, Carlos Fávaro (PP), não se desligou da presidência da Aprosoja em tempo hábil.

“Parece que tem pessoas que são muito inatingíveis ou são muito protegidas. Comentava-se a respeito das atas do PSD, mas foi o partido único que definiu a aliança antes do dia 30, com Solidariedade (SD) e com quatro partidos menores. Nos fomos os únicos a anunciar isso em uma coletiva, no dia 2”, disse Riva.

De acordo com o candidato do PSD, alguns partidos alguns fecharam os apoios e definiram nomes apenas no dia 5, último prazo dado pela Justiça Eleitoral apenas para registro.

“Alguns mudaram a ata, entregaram uma e depois outra e o curioso é que ninguém fala disso. Falar do PSD é balela, é conversa fiada, porque quem fechou a ata depois das convenções, a gente sabe quem foi”, completou o parlamentar.

“Alguns mudaram a ata, entregaram uma e depois outra e o curioso é que ninguém fala disso. Falar do PSD é balela, é conversa fiada porque quem fechou a ata depois das convenções, a gente sabe quem foi”

Elegibilidade

José Riva reforçou que tem convicção da aprovação do registro de sua candidatura ao Governo do Estado e que não há “insegurança jurídica”.

“Eu não iria me dispor a ser candidato, se eu não tivesse condições, se não tivesse um parecer que garantisse isso. Logicamente, haverá embates jurídicos, mas nós estamos preparados para ele”, afirmou.

O candidato do PSD lembrou que muitos ex-ministros têm a mesma posição, além de juristas que entendem a necessidade de ter o elemento do enriquecimento ilícito comprovado em uma condenação de improbidade administrativa.

“Fui até pego de surpresa sobre o parecer que meu advogado conseguiu do ex-procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, afirmando isso. Logicamente, isso vem nos ajudar”, disse.

O documento do ex-chefe do Ministério Público Federal atestando que o parlamentar está elegível e não se enquadra nos critérios da denominada “Lei da Ficha Limpa” foi anunciado pelo advogado de Riva que atua em Brasília, Rodrigo Mudrovitsch.

“Nem toda improbidade te deixa inelegível, precisam estar presente nas ações de improbidade outras questões como enriquecimento ilícito. Nós tínhamos uma insegurança, mas passamos a ter um parecer de que a nossa condição era de elegibilidade”, disse Riva.

Primeiro turno

Na avaliação do candidato do PSD, ele pode sair vitorioso ainda no primeiro turno e citou a pesquisa do Instituto Mark, publicada na segunda-feira (15), na qual ele aparece com 14% das intenções de voto.

“Eu não movi uma palha para crescer esses 14%. Começamos dia 30 e no dia 15 saiu essa pesquisa. Isso é resultado do ação das pessoas do interior, que começaram a trabalhar pela minha candidatura. E em Cuiabá e Várzea Grande, também há muitas que já se interessam pelo meu projeto”, afirmou.

“Não tenha dúvida de que as pessoas me conhecem, sabe do que eu sou capaz. Isso me leva a crer que a gente possa sair vitorioso no primeiro turno”, afirmou.

Riva disse ainda que, eleito, pretende ficar apenas quatro ano no Governo.

“Eu tenho certeza que tem uma parcela da sociedade e alguns empresários que acreditam na minha gestão e que sabem que sou capaz de dar um choque de gestão neste Estado. E que vou ser governador de Mato Grosso por quatro anos, só por quatro anos. É o tempo necessário para mostrar trabalho à sociedade, para que me conheçam como gestor”.

STEFFANIE SCHMIDT

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