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Temer diz que PMDB pode deixar o governo para ter candidato
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Temer diz que PMDB pode deixar o governo para ter candidato

by newsmtjulho 22, 2015

Ele ressaltou que eventual decisão seria ‘política’ e não por ‘atrito pessoal’

Em meio a um encontro com advogados norte-americanos em Nova York (EUA), o vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta terça-feira (21) que o PMDB pode deixar o governo “um dia qualquer” caso decida ter candidato próprio ao Palácio do Planalto em 2018.

Temer já disse em outras ocasiões que o partido pode lançar candidato à Presidência nas próximas eleições. Na semana passada, ao anunciar o rompimento com o Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), defendeu que o partido deixe a aliança com o PT.

“Agora, evidentemente que pode ocorrer um dia qualquer que o PMDB resolva deixar o governo, especialmente se em 2018 pretender ter uma candidatura presidencial. Mas falo singelamente, suavemente, como uma questão política e não uma questão de atrito pessoal”, afirmou Temer.

“Agora, evidentemente que pode ocorrer um dia qualquer que o PMDB resolva deixar o governo, especialmente se em 2018 pretender ter uma candidatura presidencial. Mas falo singelamente, suavemente, como uma questão política e não uma questão de atrito pessoal”

“Eu dizia ontem [segunda] que tem uma crise política, mas isso não significa crise institucional [em razão do rompimento de Cunha com o governo]. É uma divergência entre o presidente da Câmara, de natureza pessoal, com a Presidência da República. É uma questão que será examinada mais pra frente. O PMDB continua [no governo], evidentemente, até porque sou vice-presidente da República e sou do PMDB”, disse o vice-presidente.

‘Crisezinha política’

Nesta segunda, Temer já havia comentado a decisão de Eduardo Cunha de romper com o Palácio do Planalto e classificou o episódio de “crisezinha política”. Na ocasião, o vice-presidente da República também avaliou que o momento é de “pensar no Brasil” e que os recentes “incidentes” no cenário político não podem abalar a confiança dos demais países no Brasil.

Nesta terça, durante a fala a advogados dos Estados Unidos, o vice-presidente voltou a enfatizar que a decisão de Cunha foi “de natureza estritamente pessoal” e que o PMDB tem instâncias, como o conselho político e a direção nacional, para tomar decisões sobre os rumos políticos da legenda.

Responsável pela interlocução do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional, Michel Temer defendeu a independência e a harmonia entre os poderes Executivo e Legislativo a fim de “facilitar” o trabalho do governo.

“No Brasil nós temos uma divisão muito nítida dos poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos eles, tal como ressalta a Constituição, são independentes entre si, mas que harmonizam suas atividades. Muitas vezes, se fala em independência como se fosse um apartamento com separações entre os poderes, e não é isso que se quer. O que se quer ao lado da independência é, precisamente, a ideia da harmonia”, disse

Oposição

Ao falar para os advogados sobre a oposição no Brasil, Michel Temer disse ser preciso distinguir os momentos “político-eleitoral”, quando ocorrem as eleições, e “jurídico-administrativo”, segundo ele, após a votação. O vice-presidente destacou que a democracia é “o regime da contestação”, mas é preciso ter “espírito democrático” para “suportar as contestações”.

“E é neste momento [chamado por ele de ‘jurídico-administrativo’] que a situação e a oposição devem trabalhar para governar. A situação, quando propõe os seus projetos, e a oposição, quando se opõe. Mas é opor-se contestando o mérito e não é opor-se simplesmente porque perdeu a eleição. E não estou falando tanto de um sistema de agora e do sistema do passado. No Brasil sempre foi assim: quem perde a eleição acha que tem que contestar”, disse.

Fonte: FILIPE MATOSO DO G1

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