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VARRIDO DO MAPA: “O PT morreu e as manifestações já são o seu cortejo fúnebre”
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VARRIDO DO MAPA: “O PT morreu e as manifestações já são o seu cortejo fúnebre”

by newsmtabril 14, 2015

Senador José Medeiros critica Dilma, elogia Taques e diz que bancada de MT é “uma seleção”

A menos de dois meses no Congresso Nacional, o senador mato-grossense José Medeiros (PPS) já mostrou que não poupará criticas ao Governo da presidente da República, Dilma Rousseff (PT).

Em entrevista exclusiva ao MidiaNews, o senador reiterou as queixas ao Governo petista, o qual ele acusa ser de um “cinismo sem tamanho”.

Segundo Medeiros, a presidente  “vendeu” uma imagem positiva do país e feito uma série de promessas durante sua campanha eleitoral, mas, após vencer a eleição, passou a fazer exatamente aquilo que havia dito que não faria.

De acordo com ele, as manifestações populares que acontecem no país são reflexo de descontentamento da população com a classe política, especialmente em relação ao Governo Dilma e ao Partido dos Trabalhadores (PT).

“Eu tenho a impressão que o PT vai ser varrido do mapa. Essas manifestações já são o cortejo fúnebre do PT. O partido que tinha como mote acabar com a corrupção e melhorar a vida da gente. E, ultimamente, tem sido de um cinismo sem tamanho”, afirmou ele.

“Eu tenho a impressão que o PT vai ser varrido do mapa. Essas manifestações já são o cortejo fúnebre do PT. O partido que tinha como mote acabar com a corrupção e melhorar a vida da gente. E, ultimamente, tem sido de um cinismo sem tamanho”

O senador vai ainda mais longe e diz que o partido, que está há mais de 12 anos no comando do país, “morreu”.

“PT morreu e o Governo Dilma acabou antes de iniciar. É que nem casamento: quando se perde a confiança, perde tudo”, disse Medeiros.

Também durante a entrevista, ele falou sobre sua relação com a bancada de Mato Grosso, quais serão suas prioridades no Senado e sobre o peso de assumir a vaga, que era ocupada por Pedro Taques (PDT), hoje governador de Mato Grosso.

Confira os principais trechos da entrevista do senador José Medeiros ao MidiaNews:

MidiaNews: O senhor era suplente de Pedro Taques no Senado e assumiu recentemente essa vaga, após ele ter sido eleito governador de Mato Grosso. O senhor já definiu qual será sua linha de atuação no Senado Federal?

José Medeiros: Em primeiro lugar, sou da bancada de um só. Meu partido é o PPS, que tem apenas um representante no Senador Federal. Pensando nisso, a primeira atitude que tomei foi me unir a um bloco, para que eu pudesse ter uma atuação com possibilidade de participar de algumas comissões, por exemplo. Você ficando sozinho, não consegue participar das comissões importantes, que discutem e definem os caminhos do Senado, o que seria muito ruim para o meu mandato.

Passei a fazer parte do bloco que tem o PSB, o PCdoB, o PSOL e o PPS. Formamos um bloco de nove senadores, porque aí você tem mais força. A partir daí, pude participar da Comissão de Constituição e Justiça, da Comissão Econômica da Casa, da Comissão de Desenvolvimento Regional, Comissão de Direitos Humanos. Então, optei por esse caminho, para que eu pudesse começar a atuação com voz e participação.

MidiaNews: Quais áreas serão prioridades ao longo desses quatro anos de atuação em Brasília?

José Medeiros: São três eixos que, em princípio eu estou trabalhando. Um é a educação, porque não tem como pensar em um país, se você não tem educação, uma boa educação. Se o país quer desenvolver, é preciso ter valor agregado ao conhecimento. Outra parte se refere à segurança pública, até por ser oriundo da segurança pública, eu tenho me debruçado sobre esses temas, tenho procurado participar – inclusive pedi a relatoria de alguns projetos referentes a segurança pública. Principalmente, porque o nosso Estado faz divisa com a Bolívia, por onde entram drogas, armas, tudo por atacado e acho lógico e inteligente que o Governo Federal possa ter esse olhar para Mato Grosso, porque nossa população da faixa de fronteira são cooptadas pelo crime.

Nosso Estado pode contribuir muito, porque, no momento em que você resolve os problemas no atacado, eles deixam de existir. Um exemplo que te dou é o Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. Quanto de droga que eles produzem lá? Nada. Não tem um é de maconha plantado lá. Se eles combatessem isso no atacado seria mais barato. E esse “atacado” é a fronteira. Por isso eu digo que Mato Grosso pode contribuir muito nesse assunto.

Outra parte é a da agricultura e quando digo isso é no sentido da infraestrutura, da logística. Nossa base econômica ela é eminentemente agrícola, somos um estado exportador. Tenho me debruçado sobre essa questão de uma forma global, no sentido exigir que o Governo faça investimentos nas estradas, nas ferrovias, terminar as duplicações que começaram. Tudo isso, fora os debates na Comissão de Desenvolvimento Regional, na Comissão de Agricultura, no sentido de reforçar a ideia de que o país precisa “tratar bem sua galinha dos ovos de ouro, se não ela morre”.

Bruno Cidade/MidiaNews

Senador dará prioridade às áreas da Educação, Segurança Pública e Agricultura

MidiaNews: O que seria essa “galinha dos ovos de ouro”?

José Medeiros: Hoje, boa parte das exportações brasileiras são feitas pelo estado de Mato Grosso, 25%. Nos contribuímos de forma muito importante para o país, mas o retorno tem sido pequeno. E tem sido até ingrato o país, porque, devido a Lei Kandhir, você não tem como cobrar o ICMS pelos produtos primários, para exportação. O que que ocorre? Foi criado um fundo de compensação para esses estados exportadores, que é o FEX, para que eles pudessem compensar suas perdas. Mas, o Governo Federal não tem pago isso, ele vem dando o calote em todos os Estados.

Desde o primeiro dia em que entrei no Senado já fiz três pronunciamentos a cerca disso, já estive com o ministro da Fazenda, o Joaquim Levy e conversei com ele inclusive, uma proposta de compensação dessas dívidas, porque Mato Grosso tem dívida para com a União e a União devendo para o Estado, então, propus essa compensação, já propus outra forma, de repente, de arrumar um jeito de cobrar ICMS sobre esses produtos e eles fazerem uma compensação com os exportadores nos impostos federais.

Então, tenho conversado sobre esse processo em relação a agricultura, pois não vejo outra forma de minha atuação ser proveitosa para o Estado se eu, representando esse Estado, não defender essa economia. E defender ela como um todo, especialmente nos pontos em que há os maiores problemas. E a tal história, usando o jargão dos produtores: a agricultura da porteira para dentro está muito bem, tem produzido conhecimento, produzido novas tecnologias, aumentado a produtividade, mas quando sai porteira a fora não temos canais de escoamento, temos uma deficiência de infraestrutura terrível. Então, o tempo inteiro que tenho passado no Senado, tenho defendido especialmente essa questão.

Agora, a pauta realmente é grande. Tenho tido uma preocupação e inclusive já fiz um plano relacionado a distribuição de emendas, para atuar forte na questão dos recursos para a saúde. Porque, definitivamente, as coisas vão de mal a pior. Antigamente, ficávamos escandalizado quando víamos uma maca no corredor. Hoje a gente disputa vaga nos corredores. Então, tenho pautado por esses eixos a minha atuação no Senado, além de participar das discussões dos assuntos nacionais, como a crise política e econômica enfrentada no Brasil.

“A partir deste ano, terei direito a indicar emendas e elas serão distribuídas por polos, porque, se você pega e coloca no varejo demais, você não dá conta de atender todo mundo”

MidiaNews: Em relação às emendas parlamentares que o senhor citou… Já pensou como vai ser essa destinação? A região Sul do Estado, da qual o senhor é originário, terá uma atenção especial?

José Medeiros: Não. A partir desse ano terei direito a indicar emendas e elas serão distribuídas por polos, porque se você pega e coloca no varejo demais, você, primeiro não dá conta de atender todo mundo. Colocando por polos, você tem condições de atender toda uma região. Obviamente quando você investe em municípios como Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, que são considerados polo, você acaba atendendo toda região. Se investirmos na saúde desses municípios, você ajuda todas aquelas cidades vizinhas.

MidiaNews: Essas emendas, então, deveriam ter como prioridade aqueles eixos que o senhor citou, que são Saúde, Segurança, Infraestrutura e Educação?

José Medeiros: Partindo das áreas que defini como foco de minha atuação, também destinarei as emendas nessa mesma linha.

MidiaNews: De certo modo, o senhor chegou ao Senado Federal um pouco desconhecido, já que ainda não havia ocupado nenhum cargo político. Como foi essa “recepção”. Como tem sido a relação com os colegas?

José Medeiros: Chegar é uma experiência nova, desafiadora, é a Câmara alta do país, onde os grandes temas são tratados. Cheguei e consegui fazer parte do Colégio de Líderes, o que é muito importante para o Estado, porque o Colégio de Líderes é formado por poucas pessoas e nós temos dois senadores de Mato Grosso fazendo parte. Muitas definições são feitas li, você ter representantes do Estado nesse colégio é muito importante. E um aprendizado e eu tenho encontrado um ambiente muito bom.

O senador Pedro Taques teve uma atuação forte, muito notável pela Casa e havia também um dos desafios era porque você entrar substituindo alguém que tinha uma atuação destacada não era uma coisa fácil. Mas tenho me empenhado para representar bem o Estado e não encontrei nenhuma resistência por parte dos pares da Casa. Tenho recebido ajuda e não tenho também qualquer dificuldade em pedir ajuda. Penso que a minha tarefa é 24 horas estar pensando em uma forma de trazer algum beneficio para o Estado, fazer com que esse mandato se reverta em favor do Estado. E tenho procurado que esse mandato não seja a extensão dos meus anseios, das minhas emoções e nem das vontades partidárias. Creio que a continuar nessa linha poderei fazer uma boa representação.

“A bancada de Mato Grosso está muito unida. Em que pese cada um ter seu partido, aquilo ali é como a Seleção Brasileira. Por coincidência, estamos ali com 11 representantes, que precisam estar focadas nos interesses do Estado”

MidiaNews: E sobre a relação com a bancada de deputados federais do Estado?

José Medeiros: É uma relação muito boa. Temos o nosso coordenador da bancada, nosso deputado Ezequiel Fonseca que é uma pessoa extraordinária, muito humilde e agregador. A própria bancada está muito unida, porque chegamos a conclusão de que se você for pequeno e ainda por cima desunido, você não chega a lugar nenhum e o Estado fica em situação difícil. Porque, na verdade, em que pese cada um ter seu partido, aquilo ali é como a seleção brasileira. Quando o técnico convoca, convoca um do Flamengo, um do Vasco e quando eles estão ali na seleção, não estão para defender camisa de time, estão para defender a seleção brasileira. E assim é o Estado, estamos ali com 11 representantes, por coincidência onze pessoas, que precisam estar focadas nos interesses do Estado.

Vou te dar um exemplo, temos lá o Benedito de Lira, que é um senador de Alagoas e o Renan Calheiros também. Eles são inimigos viscerais no Estado, de grupos diferentes, se atacaram na ultima campanha, agora, lá no Senado, quando se trata dos interesses de Alagoas, eles sentam na mesma mesa e atuam juntos sem qualquer problema. Esse tem que ser o mesmo sentimento nosso. A gente vê que a bancada do Nordeste é toda unida em prol do desenvolvimento da região. São Paulo é toda unidade em torno da região e nós também temos que começar essa cultura em nosso Estado. Somos um Estado que carece de tudo, se comparado com os demais, nós estamos anos luz atrás, embora produzimos até mais que eles. E é por isso que precisamos de uma atuação política forte, para que nossos interesses possam ser respeitados. E, nesse ponto, estamos bem encaminhados, formando uma bancada bastante unida. E vamos continuar nos reunindo sempre, para ir afinando o discurso.

MidiaNews: Por enquanto, a bancada tem conseguido “falar a mesma língua”? Defendido os mesmos interesses?

José Medeiros: Sim. Os três senadores, por exemplo, estão muito alinhados a respeito do Estado. O senador Wellington Fagundes que está chegando agora, o senador Blairo Maggi que já está lá há algum tempo, temos conversado muito entre nós três, também com os deputados federais, buscando uma relação de muito diálogo em prol do Estado.

O Blairo tem sido muito atuante e ele tem uma experiência muito prática de Estado. Primeiro porque ele conhece o Estado frente e verso, a parte econômica do Estado – porque foi um dos pioneiros, um empresário destacado da principal área econômica que é a agricultura, então, ele conhece bem esse lado que é onde o “calo aperta”. E conhece também a parte politica e a parte administrativa, porque foi governador por dois mandatos. Tem uma experiência muito grande e eu tenho buscado sim recorrer a ele, tenho buscado informações com ele, porque, além de ser de casa, ele sabe justamente quais as linhas que podem beneficiar o Estado. A relação tem sido boa.

Bruno Cidade/MidiaNews

Medeiros diz que comparações com ex-senador Pedro Taques não lhe incomodam

MidiaNews: O senhor mencionou o fato de sair da condição de suplente para assumir a vaga que era do agora governador Pedro Taques. O senhor cita que ele era um político com atuação notável e, de certa, forma as comparações entre o José Medeiros e o Pedro Taques acabam sendo inevitáveis. Isso lhe incomoda?

José Medeiros: Não me incomoda não. Na verdade, para mim, é até bom, porque se ele tivesse sido um senador com mandato pífio, isso poderia me trazer certa acomodação. Como ele teve uma atuação muito destacada, eu tenho que me desdobrar para poder fazer frente a essa atuação que nele teve. Creio que é importante pra mim e importante para o Estado. É bom porque não tem tempo nem de piscar, porque existe uma expectativa alta demais, então, se você não se esforçar você fica deixando a desejar. Então, é sempre um desafio e ter desafios é muito bom.

MidiaNews: Ao “passar esse cargo”, o Taques lhe fez algum tipo de recomendação? Ele deixou o senhor à vontade? Como foi essa troca?

José Medeiros: Não houve uma “transição”. Ele realmente me deixou bastante à vontade, sem fazer qualquer tipo de exigência.

MidiaNews: Existem projetos que eram encampados por ele e que o senhor pretende assumir como uma bandeira?

José Medeiros: Tem alguns projetos que pretendo continuar acompanhando, defendendo, estão lá, não serão meus continuaram sendo deles. Mas estou acompanhando porque são importantes para o Estado.

MidiaNews: Em entrevistas recentes,  senhor comentou um pouco sobre as manifestações que estão ocorrendo no país. Neste domingo, acontece uma nova manifestação nacional, mais especificamente, em sinal de protesto contra a presidente Dilma Rousseff. Como o senhor avalia esses movimentos? Que mensagem a população está querendo passar?

“O marketing da Dilma pintou um quadro como se você fosse assistir um filme que te prometesse Al Pacino, Angelina Jolie, o George Clooney. E quando você assistiu, são atores totalmente diferentes e o filme não era aquele”

José Medeiros: Olha, a onda de manifestações passa por um descontentamento econômico, mas passa também por um desalento e uma quebra de confiança muito grande que a população está sentindo com a classe política. É aquele momento em que o eleitor já não acredita mais e está revoltado, principalmente porque a presidente Dilma exagerou na campanha. Eu digo que até para mentir você tem que ter limite. O marketing dela pintou um quadro… é como se você fosse assistir um filme e o filme te prometesse que entre os atores estariam Al Pacino, Angelina Jolie, o George Clooney e quando você assistiu são atores totalmente diferentes, o filme não é aquele, então, essa é a sensação que a população está tendo. A presidente falou, já na primeira campanha, não votem no PSDB, porque eles estão querendo privatizar a Petrobras e blá blá blá. O resto da ópera sobre a Petrobras você já sabe.

Ai veio a segunda campanha e ela disse: não votem no PSDB, porque eles vão querer aumentar impostos, cortar isso, cortar aquilo e por ai vai. Três dias depois de ganhar a eleição a presidente estava fazendo tudo isso que tinha falado que o outro iria fazer. E o programa que falaram que iriam fazer, não fizeram. Então, você juntou isso a todo o desalento que a população já estava com a classe política – e é muito importante salientar que não é só Dilma.

A gente observa nas manifestações que a população está sinalizando, externando sua profunda decepção e para a classe política, para o Governo, principalmente, fica o sinal de que “ou muda o rumo e fazem as coisas direito ou vão ser varridos do mapa”. Eu tenho a impressão que o PT vai ser varrido do mapa. Essas manifestações já são o cortejo fúnebre do PT. O partido que tinha como mote acabar com a corrupção e melhorar a vida da gente. E, ultimamente, tem sido de um cinismo sem tamanho.

MidiaNews: O senhor fala em cinismo no sentido de que o partido teria que admitir um eventual erro?

José Medeiros: Eles deveriam, pelo menos, ter feito a mea-culpa. Eles não admitem que estão errados. E diz o ditado que o pior cego é aquele que não quer ver. Tudo que acontece eles procuram um culpado, seja FHC, seja qualquer outra pessoa. Daqui a pouco estarão culpando Tomé de Souza, Pedro Alvares Cabral. Eles não admitem nada, as coisas estão acontecendo, eles estão vendo, mas não admitem.

Está parecendo o quadro do Zorra Total que o Maluf falava “não fui eu”. Porque, ali é pego o tesoureiro do partido envolvido em escândalos, existem documentos e tudo mais e ninguém admite nada. Pra mim o PT vai ser varrido, porque é que nem casamento, quando se perde a confiança, perde tudo. Política é igual economia e aí temos dois problemas, porque na política pelo menos era só o PT que lascava, o problema é que estão levando o Brasil junto. Isso porque com essa crise e desconfiança toda, a economia vai pro ralo, vai pro brejo.

“O ano de 2015 já foi pro vinagre, esquece 2015, perdemos. Um ano que não se faz mais nada em termos de economia. É um cenário muito difícil que vem por aí, quiçá 2016, consigamos esboçar alguma reação”

A principal empresa do Brasil já está quebrada, a economia indo para o mesmo caminho por falta de confiança. A nossa esperança é que esse ministro que entrou agora possa dar um rumo, mas é uma crise econômica muito grande.

MidiaNews: Qual cenário o senhor vislumbra para a economia do Brasil nos próximos meses ou, até mesmo, nos próximos anos? Está por vir altas taxas de desemprego? Taxas de inflamação ainda maiores?

José Medeiros: Sem querer ser pessimista, mas está por vir, muito desemprego. O desemprego já está havendo aos montes, existem muitas empresas fechando, setor sucroalcooleiro, por exemplo, está demitindo aos montes. Mais de 70 empresas já fecharam. O ano de 2015 já foi pro vinagre, esquece 2015, perdemos. Um ano que não se faz mais nada em termos de economia. É um cenário muito difícil que vem por aí, quiçá 2016, consigamos esboçar alguma reação.

Os números que estamos vendo ai, a gente vê que foi feita uma “contabilidade criativa”, esses números foram “maquiados”. Esse PIB que está aí, na verdade, não é bem isso aí. Não tivemos crescimento. Falam que foi 0,1%, mas o que se houve nos corredores de Brasília é que não foi nem isso. Então, é um cenário muito ruim, de aperto.

MidiaNews: Além de assumir a culpa, o que fazer para tentar reverter esse cenário?

José Medeiros: Duas coisas: conseguir debelar a crise política que o próprio governo criou, uma briga tola com o PMDB e, em segundo lugar, apertar o cinto também. A presidente manda a população apertar o cinto, mas ela não mexe no dela. Então, precisa fazer uma demonstração real e clara, cortar gastos efetivamente. O Estado é pesado, temos uma economia fechada, precisamos abrir a economia. Aqui no Brasil, o chamado Custo Brasil é pesado demais, o que faz a economia ficar arrastada. Para abrir uma empresa é um suplício, para fechar nem se fala. Então, isso enxota os investimentos.

Fora isso, ainda tem a parte da corrupção, que é endêmica e atrapalha. Veja mesmo agora, esse escândalo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), temos ali um retrato do que acontece no Brasil. Boa parte daquelas multas são multas feitas em valores estratosféricos e o empresário fica em duas situações: ou ele fali pagando a multa ou ele se embrenha na corrupção tentando debelar aquela multa. Então, boa parte dos problemas a gente sabe que foram dificuldades criadas para se vender facilidades.

Bruno Cidade/MidiaNews

Senador defende que o Governo Federal faça um corte efetivo de gastos e uma reforma tributária

Então, esse é o cenário que nós temos. E, nesse caldo todo, nós ainda temos um sistema tributário que tem mais de 10 mil leis, para empreender no Brasil fica difícil. Como você vai crescer num cenário desses? E a presidente tem esses desafios. Fazer algumas reformas, efetivamente fazer essas reformas e não algumas emendas. Que nem agora que ela mandou esses “pacotinhos” de combate a corrupção. Não adianta passar merthiolate em um câncer que está em metástase. O cenário que ela tinha é debelar a crise política, abrir a economia, cortar gastos, fazer a lição de casa, uma reforma tributária efetiva. Esses desafios eram remédios que poderiam ser feitos preventivamente, paulatinamente e que agora tem que fazer tudo de uma vez.

MidiaNews: E o senhor acredita que ela vai dar conta?

José Medeiros: Não sei se ela vai conseguir. Pra mim tem duas coisas: o PT morreu e o Governo Dilma acabou antes de iniciar. Por isso que eu também tenho defendido lá no Senado o fim da reeleição. Pra mim esses problemas todos são o retrato do que uma reeleição trás. Se tivesse entrado um Governo novo, fosse quem fosse, entrava com um cenário de gordura para queimar, com credibilidade, em lua-de-mel.

Vou dar dois exemplos, Pedro Taques e Beto Richa, que venceu a reeleição no Paraná e já está quase para ser cassado. Está igual a Dilma. Porque não tem o benefício da tolerância. O Taques pegou um Governo aqui arrebentado, com obras bilionária para terminar, estado falido e está tendo a tolerância da população, porque está começando agora. Dilma não está tendo isso. Porque uma semana após ela ser eleita a população já estava revoltada? Porque ela falou que iria resolver e não veio nada daquilo.

Nessa linha que tenho defendido essa questão do fim da reeleição, defendi isso no nosso bloco no Senado, eles passaram a defender também. Tenho defendido na tribuna do Senado, que é um sistema que não funcionou conosco. Pode funcionar nos Estados Unidos, lá onde for, mas aqui não deu certo. Está provado que não funciona. Governante arrebenta com cofres do Estado para poder se reeleger, usa a máquina em detrimento dos outros candidatos e ainda traz esses efeitos colaterais que estamos vendo com o Governo Dilma.

“Não defendo o impeachment. Ganhou, ganhou, fica os quatro anos e depois o que fica é a lição para a população não votar mais. Ninguém votou enganado, esse Governo já vinha mentindo a muito tempo. A população pagou para ver e está pagando o preço”

MidiaNews: Dentro desse cenário de crise e falta de credibilidade do Governo Dilma, o senhor acredita na tese de impeachment?

José Medeiros: Existem alguns que dizem que já teria argumentos para impeachment. Mas isso não é questão jurídica é uma questão politica. Veja bem, impeachment é quando um governante chega a um impasse politico muito grande. O PT já faliu a Petrobras, já fez tanta coisa e não virou nada. Porque? Pois não havia condições políticas. O Lula, por exemplo, você acha que tem alguém no pais que acredita que o Lula não sabia de nada? Na verdade, a gente sabe que ele tinha solidariedade, base politica. Então, o impeachment é isso. Quando querem, querem. Quando não quer, não quer. Na verdade, eu não vejo elementos para impeachment. E não podemos demonizar, é um instrumento que temos na constituição, faz parte de nosso ordenamento jurídico, se tiver que haver, vai haver.

Agora, não vejo também que seja golpe falar em impeachment. Golpe foi o que o Governo deu. Golpe ao prometer uma coisa e não cumprir, ao fazer um estelionato eleitoral. Não defendo o impeachment. Penso que, ganhou, ganhou, fica os quatro anos e depois o que fica é a lição para a população não votar mais. Penso que ninguém votou enganado, esse governo já vinha mentindo a muito tempo. A população pagou para ver e está pagando o preço.

Midia News: Daqui a quatro anos, qual o cenário político nós teremos?

José Medeiros: Isso é muito difícil dizer né. As coisas na política são como nuvem, mudam de uma hora para outra. Quem diria que com a crise do Mensalão que o PT voltaria ao poder? O Lula superou a crise do Mensalão, se reelegeu e elegeu ainda o outro poste que está aí.

Midia News: Assim como o senhor, na última semana, o senador Blairo Maggi que é da base do Governo, um aliado de primeira hora, fez duras criticas à presidente. Chegou até a dizer que o Governo é um “paquiderme”, um “elefante que não se mexe”. Essas críticas vão se acentuar ainda mais? Qual o peso, por exemplo, de críticas que partem de um aliado como o Blairo Maggi?

José Medeiros: As críticas irão intensificar e é muito significativo quando você vê um aliado do porte do Blairo “pular do barco”. Um aliado do naipe dele, estar deixando o Governo é sinal de que a coisa está feia. O Governo não se mexe e o problema não é ele estar doente, o pior é que ele não admite essa doença. E ele está em estágio terminal e não admite. Quando você vê um parceiro como o Blairo fazer críticas assim é sinal que a coisa está realmente feia.

MidiaNews: Em relação ao Governo do Pedro Taques. O senhor disse que existe aquele voto de confiança da população, tem uma paciência um pouco maior. A gente sabe também que ele foi eleito com aquele discurso de transformação, já não estaria na hora de, de fato, começar essas transformações? Dar uma acelerada no ritmo?

“O Governo Taques está indo muito bem. Estou muito confiante, porque quando há firmeza de propósitos, a situação tende a seguir de uma boa maneira”

José Medeiros: Acho que está muito bem o Governo. É que ele não acabou propagando muito, mas quem pegou o Governo do jeito que ele pegou aí, está indo muito bem até. Porque, o Estado foi quebrado, foi arrebentado, ficamos aí com quase R$ 10 bilhões de passivos, não sei como ele está conseguindo pagar a folha, essa que é a verdade. Então, eu tenho acompanhado o quanto ele tem trabalhado, na verdade, a gente queria que estivesse funcionando mais, mas fazer o que? Tivemos uma oportunidade de ouro aí na Copa e o dinheiro não foi bem usado. E as contas estão chegando e em estão chegando em dólar. Não é uma situação fácil e a minha avaliação é que o Governo está tecnicamente muito bem, tenho acompanhado o esforço desses secretários, que estão fazendo uma verdadeira procissão nos Ministérios, para tentar fazer que o Estado ande. Estou muito confiante, porque quando há firmeza de propósitos, a situação tende a seguir de uma boa maneira.

MidiaNews: Em relação ao futuro do político do senhor. Já podemos falar em uma reeleição em 2018? Quais são os projetos políticos?

José Medeiros: Essa realmente não é conversa de político, mas realmente não podemos fazer a mínima previsão. É aquilo que te falei, política é uma coisa que muda muito, extremamente dinâmica. A questão políticas é como juiz de futebol, não dá para gente fazer previsão. Realmente muda o cenário, mudam as conjunturas. É muito cedo para discutir isso ainda.

 

FONTE: CAMILA RIBEIRO/MÍDIA NEWS

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