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VOTO CONSCIENTE: Infelizmente eleitores insistem em votar sem critério

VOTO CONSCIENTE: Infelizmente eleitores insistem em votar sem critério

Boa parte das pessoas não analisa candidatos antes de votar, enquanto outra boa parcela sequer lembra em quem votou há quatro anos

Em quem você votou nas últimas eleições para deputados e senadores? Em muitas pessoas a pergunta parece ecoar em meio ao que parece um “vazio de consciência eleitoral”. A reportagem da Folha Extra ouviu quatro pessoas distintas, de diferentes ocupações e cidades da região, com o objetivo de exemplificar o quanto não se dá a importância devida para a escolha dos representantes nas esferas estadual e federal.

Quatro exemplos não são o suficiente para se chegar a conclusões científicas, obviamente, mas já demonstram de forma suficiente e convincente a falta de critério dos eleitores na hora de escolher seus representantes.

Para presidente, governador, e os escolhidos nas eleições municipais geralmente são lembrados, embora ainda que escolhidos muitas vezes sem critérios ou com critérios altamente duvidosos, porém quando o assunto chega em deputados e senadores o resultado é uma grande falta de importância e lembrança dos eleitores.

Não à toa, o Norte Pioneiro é justamente uma das regiões com menor representatividade política na Assembleia Legislativo do Paraná e no Congresso Federal, já que muito dos eleitores “votam por votar” nesses quesitos.

Respostas como “um voto só não faz diferença”, “votei em quem eu achei que ganharia para não perder o voto” ou então “votei em quem meu vereador pediu” são bem mais freqüentes do que se imagina, infelizmente.

Desta forma, o leitor da Folha Extra poderá acompanhar em detalhes cada um dos quatro casos, e tomar isso como lição de como não fazer no próximo mês de outubro.

Como o objetivo não é expor as pessoas ouvidas em si (assim personificando neles uma situação que é geral) e sim conscientizar os leitores, os nomes dos ouvidos não serão revelados.

PREFEITURA “OBRIGOU”

O primeiro caso de negligência eleitoral vai para Jacarezinho, onde hoje a professora, porém há quatro anos atrás estagiária da prefeitura local, disse que acabou “obrigada” pela então administração municipal a votar nos candidatos apontados pela prefeitura.

“Eu era estagiária da prefeitura de Jacarezinho e os estagiários e funcionários fomos de certa forma coagidos a votar no Ângelo Vanhoni e em outro candidato que eu não lembro para deputado. Senador acho que eu votei em branco”, afirma.

A prática, embora não declarada abertamente, é corriqueira entre as prefeituras – claro que de forma amena em alguns casos, e de forma autoritária em outros.

VOTO “GANHO”

Uma dona de casa de Wenceslau Braz afirma que não lembra em deputados ou senadores que ganharam seu voto há quatro anos, porém diz que votou em Osmar Dias (PDT) para o governo do Estado por achar que ele seria o vencedor, da mesma forma que votou em Dilma (PT) para a presidência.

“Eu não gosto de perder o voto, acho que ninguém gosta. Pra mim o Osmar ia ganhar então votei nele e na Dilma. O Osmar perdeu, mas a Dilma ganhou”, recorda. “Pra deputado e senador eu não lembro não, difícil, faz tempo”.

Quando questionada se pretende utilizar esse mesmo critério do “voto em quem vai ganhar” nas próximas eleições, a entrevistada afirma que sim.

CANDIDATO DO AMIGO

Outra situação recorrente é o voto no candidato de alguém próximo, seja vereador ou prefeito, ou pela amizade com cabos eleitorais. Esse é o caso de um sitiante de Santana do Itararé, que votou na em Luiz Claudio Romanelli (PMDB) e Alex Canziani (PMDB) por pedido de um cabo eleitoral.

O sitiante afirma que não conhece os trabalhos da dupla, porém o cabo eleitoral dos peemedebistas, que é seu amigo, pediu seu voto, e pela amizade entre os dois, conseguiu.

“Votei neles porque um amigo meu pediu. Reconheço que não sei muito bem quem são, mas a pessoa que me pediu é amigo de longa data, gente de confiança. Como eu não tinha candidato e já tinha ouvido falar bem deles, acabei votando”, relata. “Para senador acho que votei no Requião, mas não lembro direito”, continua, esquecendo-se da segunda opção de voto para o Senado.

O sitiante ainda afirma que novamente não tem candidato, e cogita manter o critério para as próximas eleições – e inclusive tem argumentos relativamente plausíveis para isso. “Quando a eleição é para vereador e prefeito a gente conhece os candidatos, convive com eles, mas para deputado, senador, governador e presidente aí não conhece. Quem deles visitou meu sítio? Ninguém, não temos contato, então eu voto em quem alguém que eu confio esteja fazendo campanha, ou que o prefeito ou um vereador conhecido nosso esteja trabalhando, porque senão fica difícil saber quem é quem, e acho que assim ainda pelo menos ajudo minha cidade”.

“NÃO LEMBRO E NÃO FAZ DIFERENÇA”

E aí, por fim, outra situação igual ou ainda mais recorrente é a questão da lembrança “zero” de muitos dos eleitores. Engana-se quem classifica que isso seja uma exclusividade de classes tidas como mais humildes.

Um estudante universitário de Ibaiti, há quatro anos, cursava o primeiro ano da faculdade. Embora integrante de uma classe que teoricamente teria plenas condições de fazer uma boa escolha, o jovem afirma de forma clara que não se lembra em quem votou para deputados,  senadores e até governador, e ainda acrescenta acreditar que o seu voto não tem poder de fazer a diferença.

“Olha, sinceramente, eu não faço a menor idéia em quem eu votei na eleição passada, e também não faço a menor idéia de quem vou votar agora. Por mais que o voto seja importante, não vai ser o meu único voto que vai fazer a diferença. Talvez eu anule nessa eleição, não sei ainda”.

CONCLUSÃO

Se o eleitor “se enxerga” em um destes casos citados, é bom passar a repensar a forma de agir em época de eleições. Outros casos absurdos, embora não exemplificados, também são constantes, como a venda de votos por parte da população – e quem vende é tão corrupto quanto quem compra – ou o voto pela aparência do candidato.

O voto deve ser consciente, livre de coações ou troca de favores, buscando o bem comum da população. Portanto, caro leitor e eleitor, estude e analise antes de depositar neste ou naquele candidato o futuro do Norte Pioneiro, do Paraná e do Brasil pelos próximos anos.

Como escolher os candidatos

Como o cidadão pode reclamar do quadro político se vota com displicência? É, no mínimo, contraditório. Portanto, cabe ao eleitor, na hora de votar, o fazer criteriosamente.

O primeiro passo na hora da escolha de um candidato deve começar com uma pesquisa sobre a vida pública (e não sobre a vida particular) daquele que pede seu voto. Se já é ocupante de cargo público, como foi a atuação? E, mais que isso, como foi a atuação em especifico para a região onde o eleitor mora? Qual a proximidade e o compromisso deste candidato com a região? Quais foram os projetos apresentados?

Em projetos e temas polêmicos, qual a posição do candidato? Como são os gastos com viagens e despesas pessoais?

Assim como a atuação em geral deve ser analisada, o que é fácil já que hoje em dia existem ferramentas de fácil acesso para este tipo de estudo, as propostas também devem passar por uma inspeção minuciosa.

Independente se o candidato busca a eleição ou a reeleição, deve-se estar atento para o fato de se as propostas são coerentes ou não, e se são coerentes com a situação regional.

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