Você está lendo:
CONTAS DE SILVAL: “O conselheiro está mais para candidato que julgador de contas"
0

CONTAS DE SILVAL: “O conselheiro está mais para candidato que julgador de contas"

by newsmtjunho 18, 2015

Parecer favorável do TCE sobre finanças do ex-governador contrapõe Wilson Santos e Antonio Joaquim

O líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Wilson Santos (PSDB), afirmou que o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antônio Joaquim, tem muito mais postura de candidato do que de um julgador de contas públicas.

A troca de farpas entre Wilson Santos e Antônio Joaquim ambos ocorre desde que o TCE emitiu parecer favorável às contas de Governo, no exercício de 2014, sob o comando de Silval Barbosa (PMDB).

Para o tucano, o TCE aprovou um conjunto de “escândalos e absurdos” e defendeu que os parlamentares sigam entendimento do Ministério Público de Contas e reprovem as contas do ex-governador.

O conselheiro, por sua vez, rebateu as declarações, alegando que Wilson, que foi prefeito de Cuiabá, “é uma prova viva” das diferenças nas apreciações e emissão de parecer à contas de gestão e contas dos gestores.

“O conselheiro [Antônio Joaquim], hoje, tem muito mais postura de candidato do que de um julgador de contas públicas”, disse Wilson, na tribuna da AL, durante sessão ordinária, na manhã desta quinta-feira (18).

Durante toda sua fala, na tribuna, o deputado se referiu a Antônio Joaquim como “conselheiro candidato”, já que, nos bastidores, circulam informações de que ele poderá se candidatar ao Governo do Estado, em 2018.

“Lamento e me surpreendi com essas declarações dele, pois esse nunca foi o nível dele. Me surpreendeu o tom, a desproporção da reação me causou surpresa. Quero dizer que o reconheço como um homem honesto, mas não é mais do que eu”

Wilson Santos lembrou, inclusive, que, nas últimas semanas, Joaquim esteve reunido, em Brasília, com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e com o presidente do PMDB em Mato Grosso, deputado federal Carlos Bezerra.

“Tenho percebido uma mudança no comportamento do conselheiro candidato Antônio Joaquim. Ele esteve, recentemente, em uma reunião em Brasília, acompanhado pelo vice-presidente da República, que é o do PMDB, pelo presidente do partido, deputado Carlos Bezerra, tratando de uma provável filiação e de uma provável candidatura, não sei a que cargo, em 2018”, disse o deputado.

Ele disse, ainda, ter ficado surpreso com as declarações do conselheiro do TCE, de quem ele diz ser colega de militância.

“Militei, durante muitos anos, politicamente com o conselheiro candidato. Vi nele um espírito público, a delegação pelo trabalho. Caminhamos nesse Estado com Dante (de Oliveira), sonhamos juntos por um Mato Grosso mais justo; então, não vou baixar ao nível que ele baixou”, afirmou.

“Lamento e me surpreendi com essas declarações, pois esse nunca foi o nível dele. Como deputado, sempre manteve nível muito elevado. Me surpreendeu o tom, a desproporção da reação me causou surpresa. Quero dizer que o reconheço como um homem honesto, mas não é mais que eu”, disse.

O deputado afirmou, ainda, que responde a ações na Justiça, mas se diz crente que provará que não houve desvio ao erário, quando era prefeito de Cuiabá.

Transações suspeitas

O deputado estadual Oscar Bezerra (PSB) levantou suspeitas ainda sobre o fato de Antônio Joaquim ser o relatar das contas de Silval, já que, segundo ele, existiriam suspeitas de transações comerciais entre ambos.

“Existem indícios de que esse conselheiro tem negócios diretamente com o ex-governador Silval, negócios de ordem milionária”, afirmou.

“Se essa pessoa tem qualquer relação comercial, acho que temos que fazer um pedido que ele seja suspeito de fazer um parecer ou julgamentos inerentes às contas do Silval”, completou.

Conselheiro diz q acionará deputado

Em nota à redação, o conselheiro Antonio Joaquim reafirmou que fez uma “defesa institucional contra um ataque que pretendeu desqualificar o TCE como instituição”.

“Quanto à insinuação feita pelo deputado Oscar Bezerra, eu a qualifico de irresponsável, vil e suja”

“A afirmação do deputado Wilson Santos, de que o Tribunal de Contas tinha aprovado escândalos e absurdos, não pode ser ignorada. Também foi preciso demonstrar a diferença entre contas de Governo e contas de gestão, pois nos ataques se criou esse mal entendido”, disse.

“Quanto à insinuação feita pelo deputado Oscar Bezerra, eu a qualifico de irresponsável, vil e suja. O parlamentar será interpelado para provar que eu tenha feito negócios com o ex-governador Silval Barbosa. Não se pode usar a tribuna de um Parlamento para jogar lama na honra das pessoas”, disse Antonio Joaquim.

Exemplo de Taques

Ainda em sua fala, o deputado Wilson Santos sugeriu que, caso pretenda disputar algum cargo, o conselheiro Antônio Joaquim se espelhe no ex-procurador da República, hoje governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT).

“Quero dizer que a prerrogativa de um conselheiro é a mesma de um magistrado, que exige com princípio norteador a imparcialidade. Se ele (Joaquim) estará amanhã no partido do Silval Barbosa ou não, isso não pode ser um preparatório”, afirmou.

“Quero dizer que a prerrogativa de um conselheiro é a mesma de a de um magistrado, que exige com princípio norteador a imparcialidade. Se ele (Joaquim) estará amanhã no partido do Silval Barbosa ou não, isso não pode ser um preparatório”

“Sugiro que ele faça como o então procurador da República, Pedro Taques, que, quando decidiu entrar na política, solicitou transferência e foi promovido para o Estado de São Paulo. Ele permaneceu como procurador entre de 2005 e 2010. Pediu exoneração do cargo, disputou o Senado e venceu em 2010, exercendo a função por quatro anos. Disputou o Governo e venceu novamente. O exemplo do Pedro Taques serve perfeitamente ao conselheiro Antônio Joaquim”, completou Wilson Santos.

Parecer do TCE

Por unanimidade, o TCE-MT emitiu, na terça-feira (16), parecer prévio favorável à aprovação das contas anuais de Governo, referentes ao exercício de 2014, sob o comando do então governador Silval Barbosa.

Ao apresentar seu relatório, o conselheiro Antônio Joaquim apontou ter encontrado um superávit financeiro no valor de R$ 377 milhões.

“Não acolho parecer do Ministério Público de Contas e procedo à emissão de parecer prévio favorável à aprovação das contas de Governo, no exercício de 2014, com diversas recomendações”, afirmou o relator das contas, conselheiro Antônio Joaquim.

O TCE ainda considerou que a gestão estadual cumpriu os ditames constitucionais relativos à aplicação de recursos em ações e serviços públicos como saúde e educação, atendeu as regras relativas aos percentuais previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para gastos com pessoal, divida ativa consolidada, operações de crédito e garantias.

Fonte: Do Mídia News

About The Author
newsmt

Tem algo a dizer sobre essa matéria?