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"MUITO TRANQUILO": "Estou feliz pelo apoio que recebo", diz ministro Neri Geller
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"MUITO TRANQUILO": "Estou feliz pelo apoio que recebo", diz ministro Neri Geller

by newsmtdezembro 16, 2014

Ministro falou sobre operação da PF e futuro no staff de Dilma Rousseff (PT)

Ainda com o futuro incerto no governo federal, o ministro da Agricultura, Neri Geller (PMDB), fala nesta entrevista exclusiva sobre os avanços conquistados desde o período que entrou para o staff da presidente Dilma Rousseff (PT).

Neri fala também sobre a operação Terra Prometida, desencadeada recentemente pela Polícia Federal. O ministro nega envolvimento com o caso e afirma que não é tão poderoso como apontado no inquérito da investigação.

O peemedebista conta ainda como é o contato com a presidente Dilma e sobre as manifestações de apoio que recebeu desde que foi anunciado que a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), poderia substituí-lo no comando do ministério.

“Sobre a minha permanência, eu estou muito feliz porque estou recebendo muito apoio. Mas, sei que é a composição de um novo governo e que eu estou muito tranquilo. Se é pra ficar lá eu vou ficar com o apoio do setor e o apoio que venho recebendo do Congresso Nacional”, disse.

Diário – O senhor conversou com a presidente sobre sua permanência no Ministério?

Neri Geller – Não conversei com a presidenta. Estou muito focado no trabalho. Todas as ações que preciso, vou e converso muito com o [ministro-chefe da Casa Civil Aloisio] Mercadante (PT) e com [o ministro das Relações Institucionais Ricardo] Berzoini (PT). Estamos avançando. Quando eu não consigo, eu falo com a presidenta. Mas, sobre a questão ministério.

Sobre a minha permanência, eu estou muito feliz porque estou recebendo muito apoio. Mas, sei que é a composição de um novo governo e que eu estou muito tranquilo. Se é pra ficar lá eu vou ficar com o apoio do setor e o apoio que venho recebendo do Congresso Nacional.

Sei que eu tenho a simpatia do poder central que tem demonstrado isso na prática. A minha permanência ou não é a consequência de uma composição. Não vou dizer que vou ficar, mas não digo que vou sair. Estou muito motivado e tranquilo.

Acho que cresceu muito a possibilidade de eu ficar lá sim. Na semana passada e na outra eu fui surpreendido com o tanto de apoio que recebi. Fui ao Congresso e as manifestações são extraordinárias, por conta do trabalho e da forma com que atendemos aos deputados. O ministério não tem hora e não tem porta para a produção. Eu não estou forçando nada, se for para ficar vai ser pela força política do trabalho e pelo apoio.

Diário – Como tem recebido as notícias de que a senadora Katia Abreu vai substituí-lo?

Geller – Com muita tranqüilidade. Meu pai me ensinou, desde criança, não dar um passo maior que a perna. Estou muito tranquilo em relação a isso.

Há muita conversa. Esta semana ela foi na imprensa e admitiu que é especulação com relação ao nome dela. Agora, é um bom quadro o nome da presidente da CNA. De concreto, até onde eu sei, é que não há nada confirmado.

Diário – Há setores que defendem sua permanência. Esses setores podem conseguir reverter essa tendência?

Geller – Não vou falar muito sobre isso, prefiro focar nas questões do ministério. Estou tranquilo com relação a isso.

Diário – Como é sua relação com a presidente Dilma. É verdade que ela é muito dura com os ministros?

Geller – Eu gosto muito dela, porque não enrola. É sim ou não, é objetiva. A presidenta não passa mão em ninguém. Ela quer ver resultado. Então, ela é dura e acho que tem que ser assim. Eu também não tenho dificuldades em dizer não.

Tenho muita simpatia pela forma como ela conduz, convencida de que é bom para o país, ela dá autonomia para tocar. Quando acha que não, ela já vai e fala. Isso é o que nós esperamos.

Eu tive dificuldades de vencer a equipe econômica para baixar a taxa de juros. Eu achei que aquilo era importante para o Brasil. Fui para a mesa da presidente e coloquei os argumentos e ela ficou do lado da produção.

Houve outros temas importantes como a questão do contencioso do algodão, mas alguns setores do governo pediam cautela. Por isso, eu defendo a presidenta. Por esses avanços.

Diário – Faça um balanço de sua gestão no ministério até agora.

Geller – Na verdade eu comecei no Ministério no ano passado, quando fui secretário de Política Agrícola. Fizemos o Plano Safra, que foi um grande avanço em termos de aumento de recursos. Nós disponibilizamos R$ 136 bilhões.

A importância não é só pelo montante dos recursos, mas pelo conteúdo dos programas. Cito como o exemplo o programa de armazenagem. Nós tínhamos um déficit de 42 milhões de toneladas. Em cinco anos o programa vai dar a possibilidade de ter mais 72 milhões de toneladas armazenadas, corrigindo o déficit. São disponibilizados R$ 5 bilhões ao ano, chegando em cinco anos com R$ 25 bilhões para armazenagem.

Isso tudo com taxas de juros de 3,5% ao ano com três anos de carência e 12 para pagar.

Outro programa importante foi o de acesso à inovação tecnológica, que está disponível, mas o produtor não tinha acesso. Como, por exemplo, a automação da propriedade. Ajuda a agricultura, suinocultura, toda cadeia. Isso tudo com juros também de 3,5% ao ano com três anos de carência e sete para pagar.

Fizemos o maior programa de financiamento para a compra de máquinas agrícolas. Foram 81 mil equipamentos vendidos no ano passado, 85% financiados e equalizados pelo Tesouro Nacional. Também na taxa de juros de 3,5%. Isso deu a condição, principalmente no Centro-Oeste e no Norte do país, onde mais avança a fronteira agrícola, do produtor incorporar tecnologia e se estruturar para fazer a segunda safra.

Outro ponto que avançou bastante, principalmente para Mato Grosso, foi o seguro, que aumentou de R$ 400 milhões para R$ 700 milhões de recursos, que ajuda as regiões de áreas de risco e também o programa de comercialização.

Somente no ano passado o governo investiu quase R$ 1 bilhão para garantir o preço mínimo. R$ 500 milhões em contrato de opção e R$ 448 milhões para o Pepro [Prêmio Equalizador Pago ao Produtor] para o escoamento. Esse recurso foi na veia do produtor, dando o direito constitucional da garantia do preço mínimo. Gerou renda para honrar os compromissos, manter a propriedade, viabilizando a produção da próxima safra.

Só no ano passado, nós tivemos a exportação de 27 milhões de toneladas de milho.

Isso levou a um movimento muito forte, que fez com que eu assumisse o ministério neste ano. Como ministro, nós avançamos muito em todo Brasil no que toca a comercialização. Só do algodão foram R$ 300 milhões, tendo em vista que estava abaixo do preço mínimo, fizemos a adequação, elevamos o valor de R$ 44 para R$ 54,60 [a arroba] e isso deu ao produtor um valor que cobre os gastos da produção.

Assim, o governo investiu quase R$ 300 milhões na comercialização do algodão e também do milho, que é muito importante para Mato Grosso, por conta da segunda safra.

Fizemos isso também para silvicultura em São Paulo e no trigo do Rio Grande do Sul, que sai de lá e vai para o Nordeste.

Diário – E quanto ao escoamento desta produção?

Geller – Ajudamos muito na estruturação dos eixos que precisam para o escoamento da produção. Orgulho muito de ter estruturado o Departamento de Logística no Ministério da Agricultura. Pessoalmente liderei muitas ações que deram, por exemplo, a liberação da questão fundiária de Miritituba, para que os investimentos de sete empresas que investem R$ 1 bilhão para fazer a estruturação portuária. Em 2015 vai escoar 5 bilhões de toneladas pelo eixo da BR-163.

Diário – Houve estruturação da defesa animal?

Geller – Tanto animal, quanto vegetal. Foi feito um concurso neste ano, inclusive para Mato Grosso. Vêm agora essa semana sete pessoas técnicas que devem fazer a fiscalização, inclusive de frigoríficos da bovinocultura. Isso deu uma credibilidade forte no mercado internacional.

Neste ano tivemos o caso da BCE aqui em Mato Grosso. Em menos de 30 dias a questão foi resolvida. Comprovamos que era um caso atípico. O pessoal da Acrimat e também do Idea atuou fortemente na questão, liderado pelo Ministério da Agricultura. Constatamos que era um caso que era de genética e não de [falta] de injeção.

Conseguimos fazer a abertura de novos mercados. Foram seis viagens internacionais.

Com isso, conseguimos consolidar os mercados no Irã, no Egito, na questão da carne bovina. Conquistamos agora a China, Arábia Saudita que são mercados promissores.

Conseguimos ainda nos Emirados Árabes, consolidamos o mercado no Japão e estamos prestes a conseguir nos Estados Unidos. Isso deve dar ao Brasil no próximo ano R$ 6 bilhões a mais com valor agregado. Isso gera emprego, rende e diminui o custo da produção.

Estou muito feliz porque tive o apoio incondicional da bancada ruralista no Congresso Nacional, da Casa Civil e da presidenta Dilma [Rousseff].

Muitas ações nós só conseguimos implementar porque tive força política. E não foi pouca coisa, foi muita coisa. Posso me orgulhar e não é nenhuma novidade, que entre os ministros mais atuantes do governo eu fui um deles.

Fora tudo isso, ainda conseguimos fazer a regulamentação do Código Florestal. O ministro se posicionou, o ministério se posicionou e quem fez a minuta da regulamentação foi o Mapa com a participação do Ministério do Meio Ambiente. Nós fomos protagonistas e não coadjuvantes. Fizemos essa minuta alinhados com o setor. Isso deu segurança jurídica ao nosso produtor. Agora nós temos uma legislação que é positiva para o setor.

Diário – As ações do ministério da Agricultura não estiveram no foco da campanha eleitoral. Houve um esforço do governo para atender essas demandas?

Geller – Sem dúvida! Se tem uma coisa que o nosso produtor não pode reclamar são das ações do governo e do Ministério, no que tange a política agrícola e de comercialização. Também temos os avanços da logística. Temos a conclusão da BR-163, a estruturação portuária no eixo norte.

A presença de um agricultor no Ministério da Agricultura, sou eu no caso, mas poderia ser outro nome, ainda assim é inédito. Nesta semana eu vim a Cuiabá com senador Blairo Maggi (PR) e com outras lideranças e colocamos isso.

Eu conheço, acompanhei a transformação. Eu vim da pequena propriedade no Rio Grande do Sul, passei no Oeste Catarinense, na passagem da produção primária para a consolidação da agroindústria, na cidade de Chapecó. Vim para Mato Grosso quando aqui ainda não era nada em termos de produção. Em 1984 eu fui para um assentamento da reforma agrária, em Lucas do Rio Verde.

Lá nós fizemos toda essa transformação. Não tenho dificuldades porque conheço a realidade. Nós avançamos muito justamente neste sentido. Trabalhei muito e sei da responsabilidade no ministério. Vou pra lá todos os dias às 7h30 ou 8h e só saio às 21h ou 22h.

Eu estou muito motivado, acho que é inédito. O espaço que o setor conquistou no governo federal tem que ser mantido.

Diário – O que o senhor tem a dizer sobre o surgimento de seu nome na operação Terra Prometida?

Geller – Recebi muitos apoios no país inteiro porque eu me posicionei. Essa investigação vem desde 2009 e eu nunca fui investigado. Poderia ser e eu não teria problema nenhum. O que fiquei chateado com a imprensa foi que todos sempre tiveram acesso comigo e conhecem a minha família em Lucas do Rio Verde.

Estou muito tranquilo e tive a coragem de ir para o Congresso Nacional, quando muitos questionavam. Fui lá porque estou com a consciência tranquila. O que eu fiz foi ajudar a resolver a questão fundiária do Estado e do país. Muitas coisas avançaram.

Eu nunca tive nenhum lote lá. Quero fazer justiça com a forma que a Polícia Federal conduziu, quando anunciou aqui em Cuiabá que o ministro Neri Geller não estava sendo investigado. Não entendo porque a mídia me expôs tanto.

Depois que fiz o enfrentamento e fui ao Congresso Nacional eu consegui espaço para reverter.

Lá em Itanhangá pode ter erro sim, mas a maioria das pessoas que foram detidas são de bem e que a sociedade conhece. Então, a questão da regularização fundiária é uma dívida que o Estado Brasileiro tem com a produção. Isso vem da década de 80. O direito à propriedade é Constitucional. Cinco anos depois não é mais da União quando se tem a posse. Ele tem direito e pode vender.

Diário – E sobre seus irmãos?

Geller – Eu tenho muito orgulho de toda a minha família. Tenho 11 irmãos e minha mãe. Ora, sair na mídia que eu era um cara poderoso, que tinha muita influência política e muito dinheiro. Eu tenho 4 mil e poucos hectares, a minha mãe mora em Lucas do Rio Verde em uma casa simples. Tem um cunhado meu e uma irmã que trabalham em uma fazenda. Ela vive bem, em uma casa boa. Mas, são funcionários. São pessoas de bem.

Não sou nenhum poderoso, eu cheguei no ministério pela força do trabalho. Eu tenho um patrimônio razoável que conquistei com trabalho. Mas, nada de dez, 15, 20 ou 50 mil hectares.

O Milton [Geller], que foi prefeito de Tapurá, saiu da política menor. Pessoa extremamente simples, correta que eu conheço. Se tiver alguma irregularidade, nós somos de maior.

Agora, eu converso com os meus irmãos, assim como conversamos entre os 11. A minha mãe mora em uma casa simples e todos ao saírem do trabalho vão pra casa dela. Somos muito unidos e tenho muito orgulho.

Fui o primeiro a vir pra cá. Vim em 1984 e morei em um barraco de lona, depois trouxe a minha família. Hoje cada um está estabilizado com o seu trabalho. Mas, ninguém é malandro – isso eu posso afirmar.

Pode ocorrer, por eventualidade, alguma irregularidade, mas cada um responde por si. Eu só fiz o bem e não prejudiquei ninguém. Sempre fui muito transparente. O que me alçou ao ministério foi o trabalho.

Diário – O inquérito da PF diz que seus irmãos, na verdade, seriam subordinados ao senhor nos negócios da família. O que tem a dizer sobre isso?

Geller – Grupo Geller eles diziam. Sabe o que é? Anota o endereço eletrônico aí: www.grupogeller.com.br, é um site, sabe quem são os sócios? Uma instaladora e uma fábrica de pré-moldados do meu irmão mais novo que nunca foi envolvido em política. Ele é sócio juntamente com a esposa. Deste site saiu a conversa do Grupo Geller, que era muito poderoso.

Eu tenho a minha propriedade e um posto de gasolina alugado. Somos unidos, mas negócios não temos juntos.

Fonte: THIAGO ANDRADE
DO DIÁRIO DE CUIABÁ

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