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Polícia Civil cumpre busca em nova fase da Operação Castelo de Areia
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Polícia Civil cumpre busca em nova fase da Operação Castelo de Areia

by Radio Tangarásetembro 29, 2016

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A Polícia Judiciária Civil, em investigações comandadas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia Regional de Cuiabá, cumpre na manhã desta quinta-feira (29.09),  busca e apreensão na residência do juiz aposentado Irênio Lima Fernandes e notifica o advogado, Lázaro Roberto Moreira Lima, para o cumprimento de medida cautelar, por suspeitas de envolvimento na organização criminosa, investigada na operação “Castelo de Areia”. O juiz aposentado é pai do ex-vereador João Emanuel Moreira Lima.

Os dois investigados também tiveram medida cautelar de uso de tornozeleira eletrônica, decretada pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O juiz aposentado e o advogado  foram denunciados no inquérito da primeira fase da operação. As buscas na casa do advogado Lázaro foram realizadas na primeira fase da operação, quando ele foi conduzido coercitivamente para prestar interrogatório.

Para a nova fase da Castelo de Areia, a Justiça não expediu a prisão dos dois investigados, mas decretou medida cautelar de uso de tornozeleira eletrônica, determinando o recolhimento do passaporte dos dois e o bloqueio de todas as contas vinculadas ao Group Soy.

O bloqueio foi efetuado na tarde de quarta-feira (28) e a Polícia Civil aguarda informação bancária para saber se foi encontrado valores, referente ao patrimônio da empresa, obtidos supostamente por meio dos golpes.

O pai de João Emanuel Moreira Lima, o juiz aposentado Irênio Lima foi identificado como um dos sócios da empresa Group Soy e teria participado de alguns dos golpes cometidos pelo grupo criminoso constituído para este fim e que tinha o filho, o ex-vereador, João Emanuel, também como sócio da empresa.

Os dois investigados, Irênio e Lazáro, serão intimados a comparecer no dia 3 de outubro, às 13 horas, em audiência na 7ª Vara Criminal, para colocar o equipamento de monitoramento eletrônico. A Justiça também deu a opção do pagamento de fiança fixada em R$ 229 mil, para cada um, caso desejem não usar a tornozeleira.

A busca e notificação de cumprimento de medidas são realizadas por equipes policiais do GCCO, comandadas pelos delegados Flávio Henrique Stringueta e Diogo Santana Souza, e pelo delegado da Delegacia Regional, Luiz Henrique Damasceno,objetivam apreender documentos de esquemas operados pelo grupo.

Castelo de Areia

A operação Castelo de Areia, deflagrada no dia 26 de agosto, levou a prisão de cinco membros da organização criminosa que lucrou mais de R$ 50 milhões, por meio de crimes de estelionatos operados pela empresa Soy Group, com sedes em Cuiabá e Várzea Grande. Os suspeitos respondem por crimes de estelionatos e organização criminosa.

O ex-vereador e mais seis pessoas investigadas na operação já foram denunciados pelo Ministério Público Estadual. Além de João Emanuel foram denunciados o advogado Lázaro Roberto Moreira Lima e o juiz aposentado Irênio Lima Fernandes; os empresários Walter Dias Magalhães Junior, Shirlei Aparecida Matsouka Arrabal e Marcelo de Melo Costa; o contador Evando José Goulart; e o comerciante Mauro Chen Guo Quin.

As investigações da Polícia Civil iniciaram com denúncias recebidas pela Delegacia Regional de Cuiabá e na Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), unidade que preside o inquérito policial.

O número de vítimas da organização criminosa ultrapassa mais de 20 pessoas, sendo que algumas ainda estão procurando a Polícia Civil para denunciar o grupo. Foram identificadas vítimas no Estado de Mato Grosso, Ceará e Bahia.

Um novo inquérito policial foi instaurado, dentro da segunda fase da investigação, e já estima prejuízo de mais R$ 1 milhão, para sete vítimas ouvidas até o momento.

Investigação

A investigação apura crimes de estelionatos praticados pela organização criminosa, que age em todo o Estado de Mato Grosso aplicando variadas formas de golpes, deixando prejuízos que ultrapassam R$ 50 milhões para quatro vítimas identificadas, inicialmente no inquérito policial. Depois da deflagração da operação novas vítimas apareceram para denunciar o grupo.

Uma parte do esquema consistia na promessa de captação de recursos de bancos no exterior, a juros reduzidos, para quais as vítimas tinham que antecipar valores para pagamento dos empréstimos. “Para que essa vítima conseguisse o dinheiro tinham que fazer depósitos para garantir a abertura da conta, às vezes até seguro para esse dinheiro sair”, explicou o delegado do GCCO, Diogo Santana.

Em um dos golpes, uma vítima afirma que o vice-presidente da empresa Soy Group, o advogado João Emanuel, teria utilizado um falso chinês para ludibriá-lo em um suposto investimento com parceria com a China, fazendo com que o investidor emitisse 40 folhas de cheque, que juntas somam o valor de R$ 50 milhões. “João Emanuel teria até traduzido o idioma da China, fazendo uma verdadeira farsa. Intérprete sem entender muito do mandarim”, disse o delegado Luiz Henrique Damasceno.

Algumas vítimas chegaram a viajar ao Chile, com tudo montado pelos estelionatários para transparecer segurança de um empréstimo seguro naquele país. Para conseguir tal captação o grupo exigia a antecipação do dinheiro como garantia do empréstimo. Nesse caso, uma vítima sofreu um prejuízo de mais de 300 mil reais.

As investigações apontam que a empresa Soy Group, com aparência imponente, é sucessora da empresa ABC SHARE que foi vedada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de continuar a atuar no mercado imobiliário. Fato este, que motivou a criação da empresa Soy, com o único objetivo de continuar com a aplicação dos estelionatos.

De acordo com o delegado titular do GCCO, Flávio Henrique Stringueta, o que chamou muito a atenção da investigação foi à forma que os membros se organizaram para cometer os crimes. “A estrutura que montaram para convencer as vítimas, para ludibriá-las a cair nessa tentação de golpes. Chegaram a alugar um prédio de cinco andares numa área nobre da cidade e lá apenas quatro salas estão sendo utilizadas, com apenas oito funcionários trabalhando ali. Para que o golpe fosse realmente concretizado pediam todo tipo de garantia. As pessoas realmente achavam que era uma coisa séria pelo tanto de documentos que eles apresentavam”, salientou.

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