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"Quem mais perdeu foi Mato Grosso", diz Janete Riva
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"Quem mais perdeu foi Mato Grosso", diz Janete Riva

by newsmtsetembro 15, 2014

A nova candidata reabriu a série de entrevistas no Diário de Cuiabá

A ex-secretária estadual de Cultura Janete Riva (PSD) mal assumiu o posto de candidata ao governo do Estado e já deixou claro que vai adotar uma estratégia contundente. A social-democrata afirma que todas as acusações serão respondidas à altura e ainda garante que irá mostrar quanto o senador Pedro Taques (PDT) está “pagando” para assumir o comando do Palácio Paiaguás.

De acordo com ela, o candidato pedetista está se utilizando de “todos os artifícios possíveis e impossíveis” para assumir a cadeira de governador. Prova disso seriam os gastos milionários com a campanha eleitoral. Taques já desembolsou mais de R$ 10 milhões até o momento, enquanto o deputado estadual José Riva (PSD) beira a casa dos R$ 700 mil em despesas. Janete afirma que sua campanha continuará sendo franciscana, sem gastos excessivos.

A social-democrata não esconde o descontentamento com o indeferimento da candidatura do parlamentar por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela afirma que o posicionamento da Corte Superior foi recebida com surpresa por sua família, uma vez que pareceres de grandes juristas brasileiros davam conta de que Riva era elegível.

Conforme a candidata, o deputado preferiu não recorrer da decisão para não continuar a causar uma insegurança em seu eleitor, uma vez que iria levar a campanha até as urnas sub judice. Ela acredita que a sua candidatura também representa a do deputado, e por isso não vê prejuízos em nenhuma área.

Riva será o coordenador-geral de sua campanha. Por conta do pouco tempo, Janete afirma que eles irão priorizar os municípios-polos e atuar junto aos prefeitos socais-democratas para atingir o restante do Estado.

Diário – O que levou a senhora a tomar esta decisão de enfrentar uma candidatura ao governo do Estado a esta altura da campanha?

Janete Riva – Foi uma decisão pensada, primeiramente, no grupo político. Quando você é filiado a um partido político e tem um grupo político consolidado, você tem um comprometimento com o partido e com o grupo no geral. Na reunião que nós tivemos depois do indeferimento da candidatura de José Riva pelo TSE, os presidentes de partidos, nossos apoiadores, os candidatos proporcionais sugeriram que meu nome fosse colocado à disposição do grupo. Entre outros nomes também foram citados o do nosso candidato a vice, o médico Aray Fonseca, e também do nosso candidato ao Senado, Rui Prado. Mas o grupo acabou optando por mim.

Diário – Foi cogitada a possibilidade de um apoio à candidatura do ex-vereador Lúdio Cabral (PT)?

Janete – Não, porque nós temos nomes muito bons no partido, sempre tivemos. Desde o primeiro momento nos questionávamos sobre um eventual plano B, e nós éramos enfáticos em dizer que não havia plano B, nosso candidato chamava-se José Riva. Em contrapartida, deixamos claro que também no nosso grupo político temos excelentes nomes com potencial para governar o Estado.

Diário – Qual foi a reação da senhora e do deputado José Riva ao receber a notícia do indeferimento de sua candidatura por unanimidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)?

Janete – Recebemos com muita surpresa, pois nós havíamos feito algumas consultas antes que ele colocasse seu nome na disputa. Essas consultas nos deram a certeza de que ele estava apto a ser votado, que a candidatura era possível. Então, para nós acabou sendo uma surpresa, mas toda ação provoca uma reação. Desta forma, de imediato passamos a pensa no nosso grupo político e do nosso futuro nessas eleições.

Diário – Ainda havia possibilidade de recurso junto ao Superior Tribunal Federal (TSF). Por que não recorrer?

Janete – Estamos a apenas 20 dias do pleito eleitoral e se recorrêssemos poderíamos ter que levar uma candidatura sub judice por um bom tempo. Isso não daria segurança para o eleitor. Então optamos por uma troca, justamente para termos esta segurança e seguirmos em frente.

Diário – Esta decisão significa o fim da carreira político-partidária do deputado José Riva?

Janete – De maneira nenhuma! Se depender do nosso grupo político, Riva continuará sendo o maior político que nós temos no estado de Mato Grosso. Por isso, acredito que quem mais perde com esta decisão é Mato Grosso, e não José Riva.

Diário – A senhora se sente preparada para ser governadora de Mato Grosso?

Janete – Sempre! Por ter uma militância política muito grande, pois fui primeira-dama aos 17 anos de idade, e ao longo do tempo passei por algumas outras experiências administrativas. Então, com certeza estamos prontos para assumir Mato Grosso.

Diário – A senhora acredita que é possível emplacar seu nome na disputa e ter chances reais de vencer a eleição em apenas 20 dias de campanha eleitoral?

Janete – Nós temos, como eu disse, uma militância e uma atuação forte no Estado que não vem de hoje. Então, o nome da Janete não é um nome desconhecido que chega ao cenário. As pessoas sempre viram a mesma figura nas pessoas de José Riva e Janete. Por conta disso, acredito que isto é uma transferência natural. Juntamente, temos o sentimento do nosso grupo de luta e perseverança.

Diário – Qual será o seu modo de administrar caso eleita? Quais serão as prioridades de seu governo?

Janete – Nós vamos continuar com o mesmo plano de governo do José Riva, pois ajudamos a elaborá-lo e acreditamos que todas as propostas que lá estão são possíveis de ser implementadas para melhorar a vida do cidadão mato-grossense.

Desta forma, a linha básica do nosso plano de governo é nos três principais pilares do Estado. Com relação à saúde, até por isso doutor Aray Fonseca foi escolhido como candidato a vice da nossa coligação. Nós temos uma situação muito precária que precisa ser melhor atendida. A educação também precisa de uma chacoalhada. Nós também temos que modernizar o nosso Estado. Não é possível você ficar três horas em uma fila para pagar o seu imposto. Não há uma excelência no atendimento. Então, há necessidade de modernizar a máquina do Estado. Além disso, também temos a questão social. Acredito que a sensibilidade da mulher vai falar muito alto neste tocante.

Diário – Assim como o deputado José Riva, a senhora também vai fazer um governo municipalista?

Janete – Nós temos como personalidade nossa esta questão da municipalidade. As coisas acontecem nos municípios. Então, você tem que facilitar as ações finalísticas para chegar aos municípios, para que os problemas sejam resolvidos. Precisamos de uma atuação forte de governo nas bases, nos serviços de ponta. Assim você ajuda a aliviar todo o resto.

Diário – Qual será a participação do deputado em sua campanha eleitoral e também em um eventual governo seu?

Janete – Na campanha, ele vai ser o nosso coordenador-geral. Ele é estrategista como nenhum outro no Estado. Na campanha dele, ele não tinha tempo para atuar desta forma, montando estratégias.

Já a participação no governo, sem dúvida alguma, será direta. Ele será ouvido em todas as áreas pela experiência que tem. Tenho certeza de que ele poderá ajudar muito a administração.

Diário – Qual a maior dificuldade que a senhora acredita que irá encontrar na campanha?

Janete – Justamente o pouco tempo para poder levar as nossas propostas a todos os municípios do Estado. Por mais que eu já tenha visitado a maioria deles com o José Riva, eu gostaria de fazê-lo de novo. Então, nós vamos dar uma priorizada nas cidades-polos e nas demais contaremos com o apoio dos nossos prefeitos e do nosso grupo político que tem atuação em todo o Estado. Nós vamos correr contra o tempo. Trabalho nunca nos assustou, vamos nos desdobrar para que nesses 20 dias que faltam a gente consiga atingir o maior número possível de eleitores.

Diário – A campanha do deputado estava enfrentando muitas dificuldades no que diz respeito à arrecadação de recursos. Como será tratada esta área em sua campanha?

Janete – Não havia dificuldades. Nós nem fomos pedir este suporte financeiro pelo não reconhecimento da candidatura dele por parte da Justiça Eleitoral. A ausência do registro deixa o apoiador em uma situação complicada e duvidosa. Mas eu tenho certeza de que agora nosso registro será deferido e, a partir daí, vamos pedir a colaboração dos nossos colaboradores e amigos. Mas quero ressaltar que não será uma campanha milionária, vamos fazer uma campanha franciscana, porque não teremos uma venda de governo como outros têm feito.

Diário – Para finalizar, como serão tratados os ataques que vierem a ser feitos contra a senhora?

Janete – Vamos respondê-los sempre à altura. Nós vamos mostrar para a população quem é o nosso grupo político e os trabalhos que já foram prestados pela gente, bem como quem está na oposição e por que está usando de todos os artifícios possíveis e impossíveis para assumir uma cadeira de governo.

KAMILA ARRUDA 
DO DIÁRIO DE CUIABÁ
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